Ronen Zvulun / Reuters
Ronen Zvulun / Reuters

Prazo para formar governo expira e Israel vai para terceira eleição em um ano

Em uma maratona de sessões, o Parlamento de Israel definiu o dia 2 de março como a data provável para o refazer as eleições, após duas rodadas anteriores em setembro e abril

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2019 | 07h35
Atualizado 11 de dezembro de 2019 | 21h02

JERUSALÉM - O Parlamento de Israel aprovou nesta quarta-feira, 11, um projeto de lei que convoca novas eleições para o dia 2 de março, a terceira em menos de um ano. A proposta foi apresentada após vencer o prazo para que o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, ou seu rival, o general Benny Gantz, conseguissem formar uma maioria para governar o país. 

Os israelenses foram às urnas em abril e depois em setembro. Nas duas ocasiões, Netanyahu e Gantz ficaram praticamente empatados e foram incapazes de negociar a formação de um governo ou seja, de construir uma aliança de 61 deputados de um total de 120.

Os partidos de Netanyahu, o Likud, e de Gantz, o Azul e Branco, estabeleceram que a próxima campanha eleitoral seja rápida e termine antes da festa judaica do Purim, que será celebrada dias após a votação. Os mais otimistas acreditam que haverá um acordo, que Gantz e Netanyahu conseguirão finalmente se entender e formar um governo de união. 

Para um acordo, as condições de Gantz são claras: Netanyahu, que está na mira da Justiça, indiciado por crimes de corrupção, deve se comprometer a não solicitar imunidade legal ou recusar ser o primeiro dos dois a liderar o governo.

Premiê há 13 anos – os últimos 10 consecutivos, um recorde em Israel –, Netanyahu enfrenta acusações de fraude, suborno e abuso de confiança. Algumas pessoas próximas ao premiê, como seu advogado, também enfrentam acusações de lavagem de dinheiro em uma operação de compra de submarinos envolvendo a empresa alemã ThyssenKrupp

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No contexto legal, Gantz pressiona Netanyahu a se retirar da política ou recusar a imunidade que o livraria da cadeia enquanto ocupar um cargo no governo. O premiê israelense não aceita as exigências e pede a Gantz que desista de ser o primeiro a liderar o governo em caso de um acordo.

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Entre os dois rivais políticos está o ultranacionalista Avigdor Lieberman, líder do partido Yisrael Beiteinu. Ex-chanceler e político de centro, ele não aceita formar um governo com os partidos árabes – que apoiam Gantz – e rejeita uma aliança com os religiosos – que estão com Netanyahu. 

Diante desse panorama, os eleitores israelenses parecem receosos com o fato de terem de ir pela terceira vez às urnas. Desta vez, no entanto, as últimas pesquisas apontam uma vantagem para o partido Azul e Branco, de Gantz. 

Algumas pessoas próximas ao premiê, como seu advogado, também enfrentam acusações de lavagem de dinheiro em uma operação de compra de submarinos envolvendo a empresa alemã ThyssenKrupp.

De acordo com o Channel 13, ele elegeria 37 deputados. Netanyahu, apenas 33. O instituto Midgam indica uma vantagem um pouco menor: 35 a 33 em favor de Gantz. A terceira força nas urnas seria uma aliança de partidos árabes, a Lista Unida, que obteria 13 vagas no Parlamento. Economistas estimam que as três eleições custarão, no total, US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões) aos cofres públicos. / AP, AFP e REUTERS

    

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