Abir Sultan / EFE
Abir Sultan / EFE

Parlamento de Israel aprova lei para dissolver legislatura e forçar nova eleição

Texto já havia sido votado favoravelmente em leitura preliminar na véspera, mas para ter validade ainda deve ser ratificado mais duas vezes; Binyamin Netanyahu tem até o fim da quarta-feira para formar governo e evita nova votação

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2019 | 06h56
Atualizado 28 de maio de 2019 | 10h52

TEL-AVIV - Menos de dois meses após as últimas eleições, Israel pode ter que voltar às urnas, se Binyamin Netanyahu não for capaz de formar uma coalizão de governo nas próximas 48 horas.

O futuro do político, no poder há mais de dez anos sem interrupção e 13 no total, está em perigo desde as eleições de 9 de abril. Ele tem até a meia-noite de quarta-feira para formar uma coalizão de governo, conforme o mandato confiado a ele pelo presidente israelense Reuven Rivlin após as eleições.

Mas apesar de seu triunfo nas eleições de abril, o primeiro-ministro trava duras negociações com Avigdor Lieberman, que foi seu ministro da Defesa. Dado o impasse, o partido de Netanyahu, o Likud, iniciou o processo de dissolução do Parlamento (Knesset). 

Nesta terça-feira, 28, o Parlamento deu mais um passo para a celebração de novas eleições legislativas, com a aprovação em primeira votação da lei de dissolução que motivaria a convocação de um novo pleito. O texto já havia sido aprovado na segunda-feira em uma leitura preliminar e para ser efetivo deve ser ratificado em mais duas votações.

Nesta terça, a lei de dissolução recebeu 66 votos a favor e 44 contrários, informou o site do Knesset. Na leitura preliminar foram registrados 65 votos a favor, 43 contra e 6 abstenções.

Em caso de aprovação definitiva, a lei estabelece a data de 17 de setembro para as novas eleições. Outra possibilidade seria o presidente Rivlin confiar a formação do governo a outro deputado, uma hipótese que Netanyahu rejeita.

Para sair da crise, a lista de centro-direita Azul e Branco, do principal opositor de Netanyahu, o general Benny Gantz, disse estar disposta a formar um governo de união com o Likud. Um governo como este teria uma sólida maioria de 70 deputados, de um total de 120.

Mas o partido de Gantz pede que o governo não inclua Netanyahu, algo que ele não parece querer aceitar. 

As eleições de 9 de abril foram convocadas por Netanyahu com antecedência, um movimento que analistas interpretaram como uma tentativa de reforçar o seu poder diante de uma possível acusação em três casos de corrupção.

Após as eleições, Netanyahu parecia se encaminhar para um quinto mandato com uma aliança liderada pelo Likud e com forças de direita e partidos ultraortodoxos, que representam 10% da população. No entanto, seus problemas legais o tornaram vulnerável a tentativas de extorsão política, segundo analistas.

Para que seus cinco deputados apoiem Netanyahu, o que faria a coalizão ter 65 das 120 cadeiras, Lieberman exige a aprovação de uma lei para que os judeus ultraortodoxos também tenham que cumprir seu serviço militar. Uma medida que muitos consideram justa, mas que os partidos ultraortodoxos rejeitam.

Os observadores não concordam se a exigência é uma estratégia de Lieberman para obter mais ganhos ou se há um conflito pessoal com Netanyahu.

Celebrar novas eleições de maneira tão rápida seria algo sem precedentes em Israel e existe preocupação com o custo e a longa estagnação política resultante.

Também representaria um duro revés para Netanyahu, que na segunda-feira recebeu o apoio de um de seus principais aliados no cenário internacional, o presidente americano Donald Trump. / AFP

Tudo o que sabemos sobre:
Israel [Ásia]Binyamin Netanyahu

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.