Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE
Ronen Zvulun/REUTERS
Ronen Zvulun/REUTERS

Parlamento de Israel deve decidir sobre novo governo neste domingo

Voto dos legisladores será decisivo para definir se frágil coalizão substituirá o premiê Binyamin Netanyahu

Patrick Kingsley, The New York Times, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2021 | 18h59

JERUSALÉM – O futuro político do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu será decidido neste domingo, 13, quando legisladores votarão a respeito de um novo governo de coalizão formado por seus principais opositores. Se a frágil e heterogênea coalizão permanecer unida até lá, poderá colocar fim a doze anos de poder de Netanyahu, o premiê mais longevo de Israel.

Nesta terça-feira, 8, o presidente do Parlamento, Yariv Levin, afirmou que os legisladores devem votar a favor da coalizão, abrindo o caminho para a substituição de Netanyahu por Naftali Bennett, ex-empresário do setor de tecnologia e líder dos colonos que se opõem a um Estado palestino, defensor da anexação de grande parte da Cisjordânia ocupada.

Se confirmado pelo Parlamento, Bennett liderará uma aliança ideologicamente variada, que abrange desde a extrema esquerda até a direita mais intransigente e inclui – pela primeira vez na história de Israel – um partido árabe independente.

A fragilidade da aliança e sua maioria mínima – se ninguém a abandonar, ela ocupará 61 das 120 cadeiras do Parlamento – fizeram com que muitos se perguntassem se o grupo resistirá até a votação e durante os quatro anos do seu mandato. Se a coalizão durar até 2023, Bennett concordou em ceder o cargo ao centrista Yair Lapid, principal articulador do grupo e ex-apresentador da televisão.

Netanyahu e o seu partido, o Likud, se comprometeram a fazer tudo o que puderem para convencer todos os membros de extrema direita que estejam indecisos em relação à votação.

Em um discurso que lembrou a retórica do ex-presidente Donald Trump depois das eleições de 2020 nos EUA, Netanyahu acusou no último domingo, 6, a aliança de Bennett de subverter a vontade do povo.

“Estamos testemunhando a maior fraude eleitoral da história do país”, disse aos parlamentares do Likud antes de dar a sua bênção aos manifestantes que pressionavam o partido de Bennett.

“Ninguém nos calará”, afirmou Netanyahu. “Quando um público enorme sente que foi enganado, quando o bloco de direita se opõe veementemente a um perigoso governo de esquerda, é seu direito e seu dever expressar o seu protesto por todos os meios legais e democráticos”.

Esta retórica vem sendo consideravelmente intensificada desde 2 de junho, quando os líderes da oposição anunciaram a formação de uma coalizão.

No fim de semana, o Likud tuitou o endereço da casa de um importante parlamentar da oposição. E centenas de apoiadores de Netanyahu fizeram piquete diante das residências de vários membros da coalizão que eles consideram vulneráveis à pressão.

“Parece que Netanyahu não esquece ou não aprendeu nada desde o assassinato de Rabin”, escreveu na segunda-feira Nahum Barnea, um destacado colunista do Yedioth Ahronoth, um jornal de centro.

No sábado, o teor do discurso aparentemente levou Nadav Argaman, o diretor do Shin Bet, o serviço secreto interno de Israel, a recomendar publicamente mais moderação.

Sem mencionar qualquer político pelo nome, Argaman pediu aos israelenses que evitem declarações que “podem ser interpretadas por certos grupos ou indivíduos como um discurso que permita atividade violenta e ilegal chegando, esperemos que não, a um ferimento mortal."

Analistas e comentaristas também alertaram que várias circunstâncias que desencadearam o recente conflito com Gaza ainda não acabaram e podem reaflorar antes da votação.

Na segunda-feira, o procurador geral Avichai Mandelblit não quis intervir em um caso de despejo que suscitou grande repercussão no bairro Sheikh Jarrah, onde moradores palestinos estão ameaçados de expulsão de suas casas em favor de colonos israelenses.

O caso em Sheikh Jarrah foi citado pelo Hamas como uma das razões para a sua decisão de disparar foguetes na direção de Jerusalém no dia 10 de maio, no início do recente conflito com Israel. A decisão de Mandelblit significa que a expulsão, que está sendo objeto de recurso judicial, poderá se concluir nos próximos dias – exacerbando mais uma vez as tensões com o Hamas.

Há também o temor de violência caso uma marcha de judeus de extrema direita em áreas palestinas da região Leste de Jerusalém seja permitida na quarta-feira.

A marcha foi originalmente planejada para o dia 10 de maio e é mais um dos motivos alegados pelo Hamas pelos disparos de foguetes naquele dia. Mas foi abortada depois que os militantes começaram o ataque, levando os organizadores a tentar reprogramá-la para esta semana.

Inicialmente, a polícia cancelou a marcha que ocorreria na segunda-feira, mas os principais ministros do governo, incluindo Netanyahu, pretendiam discutir o assunto na terça-feira. / Tradução de Anna Capovilla

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.