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Parlamento de Timor Leste prorroga estado de emergência

O Parlamento de Timor Lesteprorrogou na quarta-feira, para o dia 23 de fevereiro, o estadode emergência declarado após a tentativa de assassinato quedeixou gravemente ferido o presidente do país, JoséRamos-Horta. Também na quarta-feira, o primeiro-ministro timorense,Xanana Gusmão, pediu calma à população. Ramos-Horta foi atingido por tiros disparados por soldadosrebeldes na segunda-feira e que Gusmão escapou ileso de umataque realizado contra o comboio dele no mesmo dia. Alguns analistas disseram que Timor Leste pode sofrer umanova onda de violência e caos político após o ataque contraRamos-Horta, no qual morreu o líder rebelde Alfredo Reinado. A Austrália enviou soldados para Dili, nesta semana, a fimde reforçar o aparato de segurança do país e ajudar a manter apaz. "Esse estado de emergência não visa impedir as pessoas decontinuarem com suas vidas, mas visa permitir a normalizaçãodas coisas", disse Gusmão. "Peço que as pessoas continuemcalmas e que obedeçam à lei." O procurador-geral de Timor Leste, Longinhos Monteiro,havia dito antes, também na quarta-feira, que emitiria mandadosde prisão para 18 acusados de envolvimento nas tentativas deassassinato do presidente e do premiê. "Hoje, chegamos à conclusão de que emitiremos os mandados",afirmou Monteiro a repórteres, na capital timorense. Centenas de simpatizantes de Reinado --alguns deleschorando, outros gritando "Viva Alfredo"-- reuniram-se na casadele, em Dili, na quarta-feira, quando seu caixão foi levadoaté o local. Seguidores dele insistiram em abrir o caixão várias vezes afim de confirmar que o corpo presente ali pertencia mesmo aolíder rebelde. "Ainda que você esteja morto, seu espírito viverá parasempre e nós continuaremos a sua luta", gritou um homem,enquanto policiais da Organização das Nações Unidas (ONU)vigiavam a área. Soldados australianos continuavam a desembarcar em Dili afim de ampliar a força internacional de paz e o continente de1.600 policiais da ONU, que zelam pelo estado de emergênciadeclarado na segunda-feira, pouco depois dos ataques. Ramos-Horta foi levado até Darwin, no norte da Austrália,ainda na segunda-feira para ser submetido a um tratamento deemergência devido aos ferimentos a bala. Os médicos realizaramuma nova cirurgia na quarta-feira. Segundo o cirurgião-chefe da equipe, Phil Carson, aoperação revelou que o presidente teria recebido dois tiros, enão três conforme divulgado anteriormente. O médico acrescentouque o paciente teria de passar por outras cirurgias. Carson afirmou ainda que Ramos-Horta ficaria comcicatrizes, mas que se recuperaria totalmente dos ferimentos. MAIS VIOLÊNCIA? Apesar dos temores de que membros pró-Reinado da coalizãogovernista retirem seu apoio após a morte do líder rebelde,fazendo com que o governo caia, um integrante da coalizão dissenão haver sinais de qualquer racha interno. Timor Leste conquistou sua independência da Indonésia em2002 após um plebiscito patrocinado pela ONU e realizado em1999, processo esse marcado por uma onda de violência. A Indonésia invadiu a ex-colônia portuguesa em 1975, evários milhares de timorenses morreram durante a brutalocupação. (Reportagem adicional de Tito Belo e Telly Nathalia em Dilie Rob Taylor em Canberra)

AHMAD PATHONI, REUTERS

13 de fevereiro de 2008 | 11h30

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