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REUTERS/Leonhard Foeger
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Parlamento derruba primeiro-ministro conservador da Áustria

Chanceler Sebastian Kurz foi tirado do cargo depois de escândalo de corrupção que implodiu sua coalizão e resultou também na queda do líder do partido nacionalista FPO, que era o número dois do governo

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2019 | 12h03
Atualizado 27 de maio de 2019 | 13h31

VIENA - O Parlamento da Áustria votou, nesta segunda-feira (27), uma moção de censura contra o chanceler conservador Sebastian Kurz, retirando-o do cargo após o escândalo de corrupção que implodiu sua coalizão de governo.

Esta votação sem precedentes na história da República da Áustria contou com os votos dos socialdemocratas e do partido nacionalista FPÖ, cujo líder havia sido obrigado a renunciar a seu posto de número dois do governo, em função do mesmo escândalo. O resultado da votação foi anunciado pela vice-presidente do Parlamento, Doris Bures. 

Paradoxalmente, a votação da moção de censura aconteceu depois que Kurz saiu vitorioso no domingo com seu partido nas eleições europeias. A sigla obteve 34,9% dos votos, o melhor resultado de um partido desde a entrada da Áustria na União Europeia, em 1995.

Segundo analistas, a popularidade do líder dos conservadores pode até ser reforçada com a proximidade das eleições legislativas antecipadas convocadas para setembro após o escândalo "Ibizagate".

O destino do líder de 32 anos, no poder desde o final de 2017, já havia sido selado pela manhã manhã, quando o FPÖ, de extrema direita, outrora seu aliado, decidiu que votaria a favor da moção de censura contra Kurz.

Já o Partido Social Democrata (SPÖ) anunciou no domingo que também apoiaria a moção. A soma dos 52 deputados do SPÖ e dos 51 do FPÖ configurou uma maioria na Casa, de 183 cadeiras. 

Nos últimos dias, o FPÖ não parou de atacar Kurz, líder dos conservadores do ÖVP, que os expulsou sem qualquer hesitação do governo após as revelações do caso "Ibizagate".

Para o ex-líder do FPÖ Heinz-Christian Strache, que teve de renunciar a todos os cargos após o escândalo, exigir a saída do chanceler era "compreensível e lógico". "A confiança desapareceu", disse o secretário-geral da legenda, Harald Vilimsky. 

O Parlamento organizou uma sessão extraordinária esta manhã para discutir a moção de censura.

A coalizão ÖVP-FPÖ acabou depois da divulgação em 17 de maio de um vídeo - que na verdade foi uma armadilha -, no qual Strache propõe contratos públicos em troca de apoio financeiro russo.

Após a queda do líder do FPÖ, que ocupava o cargo de vice-chanceler na coalizão governamental, Kurz destituiu o ministro do Interior, também de extrema direita. Em resposta, os outros ministros do FPÖ abandonaram o Executivo, deixando o partido conservador governando sozinho.

Apesar de sua popularidade - segundo uma pesquisa recente, a maioria dos austríacos apoiava a permanência do chanceler no cargo -, Kurz não foi capaz de se manter no poder. Ele acusou os socialdemocratas e a extrema direita de formarem "uma coalizão" para derrubá-lo. / AFP

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