Michel Comte / AFP
Michel Comte / AFP

Parlamento do Canadá é fechado após tiroteio

Polícia informou que um soldado morreu após ser ferido do lado de fora do prédio, no Memorial da Guerra Nacional

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington , O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2014 | 12h27






(Atualizada às 20h) OTTAWA - Homens armados atacaram na manhã desta quarta-feira, 22, o Parlamento canadense, em Ottawa, a tiros, no momento em que o primeiro-ministro do país, Stephen Harper, estava no edifício. Parlamentares e funcionários foram orientados a permanecerem trancados em suas salas, enquanto a polícia busca possíveis atiradores. Harper foi retirado do prédio e, segundo o governo, está em um local "seguro".

Ataques a tiros também ocorreram no Memorial da Guerra Nacional, onde um soldado das Forças Canadenses morreu após ser baleado. O Parlamento foi fechado. O chamado ocorreu às 9h52 (11h52 pelo horário de Brasília).

Mais cedo, havia sido informado que outro tiroteio teria ocorrido perto do shopping Rideau Centre, também próximo ao Parlamento, mas a polícia negou a informação em um comunicado nesta tarde. "Diferentemente do que havia sido informado, não ocorreram incidentes perto do Rideau Centre".

No fim do dia, fontes da polícia canadense disseram investigar um homem de nome Michael Zehaf-Bibeau como possível suspeito nos ataques ao Parlamento. Duas autoridades americanas disseram que o atirador era canadense convertido ao Islã. Um deles disse que o homem era de Quebec. 

Os ataques ocorrem dois dias depois de dois soldados serem atropelados - e um morrer - em Quebec por um um homem que a polícia associou ao radicalismo islâmico, no que as autoridades consideraram um ato de terrorismo. O país elevou de "baixo" para "médio" o risco de ataques terroristas.

Os atiradores conseguiram entrar no Parlamento e realizaram pelo menos 30 disparos dentro do edifício. Ainda não está claro a motivação dos atentados e a região em torno do Parlamento está isolada.

Um segurança do edifício ficou ferido, segundo o ministro Jason Kenney. "Condolências à família do soldado morto (mo memorial) e orações para o guarda do Parlamento ferido. O Canadá não será aterrorizado ou intimidado", escreveu Kenney no Twitter.

Um suspeito dos disparos foi morto dentro do Parlamento pela polícia, que procura por outros possíveis atiradores. "Nós estamos procurando então não podemos dizer se é um suspeito ou mais", disse o chefe da polícia local, Marc Soucy, à Reuters. Segundo o jornal The Globe and Mail, um corpo foi visto do lado de fora da biblioteca do prédio.

O porta-voz de Harper, Jason MacDonald, disse em comunicado que o premiê "está sendo informado" sobre a situação e fará uma declaração pública ao longo do dia.

Jornalistas que trabalham na cobertura dos fatos no Parlamento foram ordenados pela polícia a deitarem no chão do hall, em frente à Câmara dos Comuns, informou o The Globe and Mail. Segundo o repórter do jornal Josh Wingrove, em diversos posts no Twitter, o hall estava com um forte cheiro de pólvora.

Imagens de emissoras locais mostram dezenas de policiais, alguns deles pertencentes a unidades especiais e fortemente armados, nas ruas do centro de Ottawa e buscando casa por casa outros possíveis suspeitos. A polícia recomendou que as pessoas fiquem longe de sacadas ou janelas.

Bases militares canadenses foram fechadas ao público no país, afirmou a TV CBC.

Combate ao EI. O Canadá integra a coalizão internacional que realiza ataques a posições do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque. Logo depois que o governo canadense anunciou a adesão ao esforço liderado pelos EUA, no mês passado, o EI orientou seus militantes a matar canadenses.

A Embaixada do Canadá em Washington foi fechada minutos depois dos ataques em Ottawa, como medida de segurança.

EUA. O presidente dos EUA, Barack Obama, qualificou o tiroteio no Canadá como um evento "trágico" e disse que ele reforça a necessidade por vigilância. Obama, em uma entrevista coletiva na Casa Branca, disse que ainda não sabia a motivação do atirador ou se ele fazia parte de uma rede mais ampla. O presidente afirmou que é importante para o Canadá e para os EUA estarem em sintonia quando o assunto é atividade terrorista. / Com AFP, NYT e REUTERS


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