Parlamento do Nepal decide proclamar a República

Ao assumir poderes absolutos em 2005, o rei uniu seus inimigos e abriu o caminho para o fim na monarquia

AP,

28 de dezembro de 2007 | 16h28

O Parlamento do Nepal votou pela abolição do regime monárquico que existe há séculos no país, e pela adoção do sistema republicano. Mais de dois terços dos parlamentares votaram a favor de uma emenda à Constituição provisória que põe fim à monarquia, disse o presidente da Casa, Subash Nembwang.   Veja também: Morre Pedro Gastão de Orleans e Bragança aos 94 anos   A votação desta sexta-feira, 28, garante que o rei perderá o trono imediatamente após as eleições, marcadas para abril, que escolherão uma Assembléia Constituinte. A emenda faz do Nepal uma república federativa. Todos os poderes de Estado serão exercidos por um primeiro-ministro. A decisão marca o fim da última monarquia do mundo baseada na religião hindu.   O rei Gyanendra - cuja dinastia data de 1769 - havia dissolvido o parlamento nepalês e assumido poderes absolutos em fevereiro de 2005, alegando que era preciso acabar coma corrupção no governo e com a insurgência armada comunista.   Mas com o rei no comando, os rebeldes intensificaram seus ataques, a economia periclitou e Gyanendra se valeu de táticas autoritárias para suprimir a oposição e as críticas a suas decisões.   O golpe acabou se tornando o começo do fim da monarquia, já que uniu os inimigos do rei, enfureceu a população e pôs o Nepal no caminho da República.   Um levante violento em 2006 forçou o rei a restabelecer o Parlamento, que decidiu privá-lo de seus poderes, do comando das Forças Armadas e da imunidade jurídica de que gozava.   Os rebeldes comunistas então decidiram depor as armas e encerrar uma revolta que já havia matado 13 mil pessoas. Durante séculos, os reis do Nepal foram adorados pelo povo como reencarnações do deus Vishnu. Mas o reinado de Gyanendra já havia começado de modo escandaloso em 2001, no qual o então príncipe-herdeiro foi acusado de massacrar a tiros o rei Birendra e boa parte da família real, antes de cometer suicídio.

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