Parlamento do Paquistão conclui mandato de 5 anos

O governo do Paquistão atingiu um marco histórico neste sábado, dia em que o Parlamento se tornou o primeiro organismo democraticamente eleito a finalizar um mandato de cinco anos em um país que já enfrentou três golpes militares e vive persistentes turbulências políticas.

DANIELLE CHAVES, Agência Estado

16 de março de 2013 | 20h05

Após anos de ataques de militantes, de agravamento dos blecautes de energia e de um crescimento econômico frágil, o partido político que assumiu o governo cinco anos atrás com uma onda de apoio em seguida ao assassinato da líder icônica Benazir Bhutto provavelmente terá mais dificuldades desta vez para obter votos.

Destacando as divisões existentes, os políticos do país não conseguiram chegar a um acordo sobre um governo interino a tempo da sessão final do Parlamento antes de as novas eleições serem realizadas. A Constituição paquistanesa exige uma eleição dentro de 60 dias, embora uma data ainda não tenha sido marcada.

O primeiro-ministro do país, Raja Pervaiz Ashraf, que manterá sua posição até as eleições, elogiou a transição pacífica como um sucesso para seu grupo político, o Partido do Povo do Paquistão (PPP). "Nós fortalecemos as bases da democracia de tal forma que ninguém poderá prejudicar a democracia no futuro", disse Ashraf durante um discurso de quase uma hora transmitido pela televisão local.

Ashraf retratou os problemas no país como algo herdado do regime anterior do líder deposto, o general Pervez Musharraf. Uma das principais conquistas do partido do governo foi sua sobrevivência - um feito nada pequeno em um país que enfrentou sucessivos golpes e muitos outros que não tiveram sucesso.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, tem mostrado uma habilidade considerável em manter unido um governo de coalizão cujos membros ameaçam deixar o grupo a cada mês. Ele também gerenciou um equilíbrio entre a necessidade de assistência aos EUA em meio à deterioração da relação entre os dois países e ao aumento do sentimento antiamericano.

Zardari e o partido governista precisam compartilhar parte do crédito pelo feito deste sábado. O exército, tradicionalmente disposto a intervir quando percebem que o Paquistão está em crise, tem mostrado reticência sob a liderança do general Ashfaq Parvez Kayani em se envolver pelo menos publicamente na política. As informações são da Associated Press.

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