Parlamento do Paquistão elege aliado de Bhutto como premiê

A Assembléia Nacional doPaquistão elegeu como primeiro-ministro, nesta segunda-feira,Yousaf Raza Gilani, um dos líderes do partido daex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, cinco semanasapós a vitória da legenda nas eleições gerais do país. Num primeiro desafio ao presidente paquistanês, PervezMusharraf, Gilani disse que determinaria a libertação imediatade juízes que o presidente mandou prender após ter declaradoestado de emergência, em novembro. O novo premiê pediu ainda que o Parlamento vote umaresolução solicitando que a Organização das Nações Unidas (ONU)investigue o assassinato de Bhutto, no dia 27 de dezembro, emum ataque atribuído a militantes islâmicos e realizado comarmas de fogo e bombas. Gilani recebeu 264 votos na câmara baixa do Parlamento,composta por 342 integrantes, afirmou o presidente daAssembléia Nacional. O único outro concorrente, Chaudhry PervezElahi, da Liga Muçulmana Paquistanesa, aliada de Musharraf,recebeu 42 votos. A notícia da eleição de Gilani foi comemorada por palmas egritos de "longa vida a Bhutto" de simpatizantes que estavam nagaleria reservada aos visitantes. Bilawal Bhutto Zardari, filho da ex-primeira-ministra,encontrava-se também na galeria e foi visto enxugando umalágrima. Os que apóiam o partido de Bhutto gritaram ainda: "ForaMusharraf, fora Musharraf." "É por causa do martírio de Benazir Bhutto que a democraciaestá sendo restabelecida. Este é um acontecimento histórico",afirmou Gilani à Assembléia Nacional, pouco depois de ter sidoanunciada sua eleição. Previa-se que Gilani, um aliado fiel de Bhuttoex-presidente da Assembléia Nacional, venceria a eleição comuma margem folgada de votos. O candidato recebeu o apoio de membros do Partido do PovoPaquistanês (PPP, de Bhutto), de partidos da coalizão lideradapor essa legenda, entre os quais o do ex-primeiro-ministroNawaz Sharif, que ficou em segundo lugar na eleição de 18 defevereiro, e de um pequeno partido regional pró-Musharraf. Houve especulações de que o PPP talvez apontasse umprimeiro-ministro interino a fim de permitir que o viúvo deBhutto, Asif Ali Zardari, que hoje comanda a legenda, assumisseo cargo após ingressar no Parlamento através de uma eleiçãocomplementar. Mas autoridades do partido negaram tais boatos e afirmaramque Gilani ficaria no cargo de primeiro-ministro durante oscinco anos do mandato dele. (Reportagem adicional de Zeeshan Haider)

KAMRAN HAIDER, REUTERS

24 de março de 2008 | 12h32

Tudo o que sabemos sobre:
PAQUISTAOPREMIEESCOLHA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.