Parlamento do Paraguai suspende recesso para julgar Macchi

O presidente do Senado paraguaio, Juan Carlos Galaverna, disse hoje que o Parlamento não entrará em recesso de fim de ano devido ao julgamento político do presidente da República, Luis González Macchi, que se encontrava hoje no Brasil participando da 23ª reunião dos presidentes do Mercosul. Galaverna, do governista Partido Colorado, afirmou que ambas câmaras do Congresso, de Senadores e Deputados, devem prorrogar o período de sessões que termina no dia 20 "para administrar a atual conjuntura de convulsão política". A Câmara dos Deputados, que aprovou na quinta-feira o julgamento político de González Macchi deve apresentar as acusações ao Senado em 15 dias. Entre outras acusações, González Macchi foi denunciado pelo desvio de US$ 16 milhões do Estado para uma conta no Citybank de Nova York e pela compra com dinheiro da presidência de um automóvel BMW blindado que havia sido roubado do Brasil. O Senado necessita 30 votos de seus 45 membros para destituir o presidente, que adiantou que acatará a decisão. Galaverna disse que não quer suceder a González Macchi caso ele seja destituído por "mau desempenho de funções". O presidente do Senado disse que se isso ocorrer, ficará o menor tempo possível no cargo. Por conta da inexistência de um vice-presidente, após a renúncia em outubro do liberal Julio César Franco, que pretende concorrer às eleições presidenciais de agosto de 2003, Galaverna é o primeiro na linha direta de sucessão de González Macchi. Galaverna relacionou o pedido de destituição do presidente com uma manobra dos opositores liberais e seguidores do ex-general golpista Lino Oviedo, refugiado no Brasil. Ele disse que a iniciativa teria como objetivo obter a anistia de Oviedo. Apesar de seus problemas judiciais e políticos - foi condenado a 10 anos de prisão em 1998 pela tentativa de golpe de 1996 e é acusado de ser o autor intelectual do assassinato do ex-vice-presidente Luis María Argaña - Oviedo disse que concorrerá à presidência por seu partido União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace) e está em primeiro lugar nas pesquisas de opinião. González Macchi assumiu o governo em março de 1999, após a renúncia do então presidente Raúl Cubas, forçada pelos violentos distúrbios ocorridos depois do assassinato do vice-presidente Argaña.

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