Parlamento é contra posição de Blair sobre ataque ao Iraque

O primeiro-ministro britânico Tony Blair chegou a Londres em meio a duras críticas por parte do Parlamento da Grã-Bretanha, após anunciar uma disposição de apoiar o governo dos EUA numa campanha militar contra a administração de Saddam Hussein no Iraque. Cerca de 150 parlamentares britânicos, na maioria trabalhistas, assinaram uma moção especial na Câmara dos Comuns, expressando uma "profunda preocupação" quanto ao apoio das tropas britânicas a possíveis ataques a Bagdá.No domingo, Blair declarou nos EUA que apoiará qualquer ação militar para tirar Saddam Hussein do poder caso seja necessário. "As pessoas esperam que atuemos da melhor maneira possível, tomando as decisões acertadas", disse Blair em Londres e adiantou que poucas pessoas defenderiam o líder iraquiano. "Tudo o que posso dizer às pessoas é que continuamos na posição de identificar o problema e estabelecer condições para a permanência de Saddam no poder", disse o mandatário britânico ao chegar à capital inglesa.Um grupo de deputados do Parlamento em Wstminster advertiu que pedirá explicações ao premier pelas contínuas posições belicistas contra o Iraque. Analistas políticos britânicos temem também que a secretária de Desenvolvimento Internacional, Clare Short, renuncie se o governo Blair insistir em atacar Bagdá.No discurso nos EUA, Blair também indicou que os EUA, a Grã-Bretanha e a Europa deverão estar preparados para atuar contra o terrorismo ou ameaças de armas nucleares e químicas. "A ação militar não será iminente e oferecemos a Saddam Hussein uma saída permitindo a entrada de inspetores que revisem seus arsenais militares", disse o premier, advertindo em seguida que "se for necessário, esta saída será militar e se justifica tentar derrubar Saddam".Blair afirmou que a Grã-Bretanha apoiará o governo dos EUA para deter os países do chamado "eixo do mal", argumentando que "não podemos intervir em todos os casos, mas não duvidaremos em confrontar os países em que se estabeleçam focos terroristas".A ex-deputada trabalhista, ex-atriz e analista política inglesa Glenda Jackson disse à imprensa britânica que considerou as declarações de Blair "muito irresponsáveis". "É muito irresponsável falar sobre uma ação militar contra o Iraque sem ter provas suficientes para afirmar que a administração de Saddam está vinculada à criação de armas de destruição em massa", disse Jadkson à BBC de Londres. "Até que se comprove o contrário, a comunidade internacional deverá concentrar-se no que continua ocorrendo no Oriente Médio".

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