Parlamento é restaurado no Nepal

O Parlamento do Nepal voltou a ter uma sessão nesta sexta-feira depois de um hiato de quatro anos, e legisladores propuseram um cessar-fogo com os rebeldes maoístas e a convocação de uma assembléia constituinte.A reunião ocorreu depois de semanas de protestos nos quais pelo menos 14 pessoas foram mortas pelas forças de segurança e que forçaram o rei a abdicar de poderes absolutos e aceitar a volta da democracia.A presidente do Parlamento, Chitra Lekha Yadav, apresentou as propostas em nome de Girija Prasad Koirala, o recém-nomeado primeiro-ministro de 84 anos que não pôde participar da sessão devido a problemas de saúde."Foi o povo que trouxe essa mudança e temos de atender suas expectativas", afirmou Yadav aos parlamentares.As propostas, que incluem conversações iniciais com os maoístas, serão discutidas no domingo, acrescentou ela."Temos certeza que os maoístas irão aceitar", avaliou Sher Bahadur Deuba, um parlamentar, ex-premier e um dos líderes do Congresso Democrático Nepalês.Do lado de fora, milhares de ativistas se concentraram na frente do prédio parlamentar, exigindo uma rápida definição sobre a elaboração de uma nova constituição."Esses homens têm de mudar nossas leis... para garantir que estamos seguros em nossa democracia", disse Gopal Tiwari, um estudante de 22 anos. "É por causa de nós que eles estão hoje sentados no Parlamento".Enquanto isso, num parque a cerca de um quilômetro de distância, milhares de ativistas pró-democracia, partidários dos maoístas e alguns maoístas se reuniam em outra manifestação.Bandeiras vermelhas com a foice e o martelo tremulavam no parque. Num panfleto distribuído aos participantes, o líder maoísta Prachanda elogiava os protestos que levaram o rei a entregar poderes aos políticos eleitos."Esta revolução é um apelo aos povos de todo o mundo para... derrotarem a autocracia", dizia ele no panfleto.A reunião era uma mostra de que os rebeldes - perseguidos por governos anteriores - acreditam que terão agora uma chance de participar da vida pública depois de terem apoiado os protestos organizados por uma aliança de sete partidos contra o rei Gyanendra, que havia assumido poderes absolutos no reino do Himalaia depois de dissolver o Parlamento em fevereiro de 2005 .

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