KHALED DESOUKI/AFP
KHALED DESOUKI/AFP

Parlamento egípcio vota Assembleia Constituinte

Apesar do boicote de liberais, os 100 membros serão escolhidos e devem redigir uma Constituição

Efe,

12 de junho de 2012 | 12h48

CAIRO - O Parlamento egípcio iniciou nesta terça-feira, 12, a eleição para escolher os 100 membros da assembleia que deve redigir uma Constituição, apesar de alguns membros do Bloco Egípcio boicotarem a sessão.

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A reunião foi inaugurada pelo presidente do Parlamento, Mohammed Saad Katatni, dirigente do Partido Liberdade e Justiça (PLJ), da Irmandade Muçulmana, que explicou as regras para escolher a Assembleia Constituinte.

"Quero agradecer aos políticos que chegaram a um acordo sobre as normas para escolher a assembleia", manifestou Katatni, em referência ao consenso alcançado na semana passada pela Junta Militar e os partidos e à fórmula elaborada para designar os integrantes do comitê após meses de inércia.

Mesmo assim, alguns membros do Bloco Egípcio - formado por partidos liberais e de esquerda -, se retiraram da sessão parlamentar sem dar mais detalhes, segundo a televisão egípcia. Após as palavras de Katani, a votação para designar os membros da assembleia foi iniciada.

Cada deputado precisa escolher 100 candidatos para fazer parte do órgão, além de 50 de reserva, embora só possam votar os parlamentares escolhidos nas urnas, e não os designados pela Junta Militar. O número de aspirantes a integrar a Assembleia Constituinte chega a 1.300, segundo a televisão egípcia.

O boicote poderia pôr a assembleia em risco, já que a anterior foi invalidada em abril por um tribunal, depois que um quarto de seus membros, na maioria liberais, decidiu não participar dela ao afirmar que o órgão estava dominado pelos islamitas e não representava todos os setores da sociedade.

Segundo o acordo realizado na semana passada, 39 dos membros da assembleia devem pertencer a grupos políticos, enquanto 21 serão personalidades que representem as mulheres, os jovens e os cristãos; e os restantes se dividirão entre juízes, especialistas constitucionalistas, instituições religiosas - a influente Al- Azhar (sunita) e a Igreja Copta - e sindicatos.

A sessão parlamentar de hoje acontece dias antes de ser realizado o segundo turno das eleições presidenciais do Egito, neste fim de semana, na qual concorrem o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi, e o general reformado Ahmed Shafiq, último primeiro-ministro do regime de Hosni Mubarak.

 

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