Parlamento Europeu duvida de êxito do Grupo de Amigos da Venezuela

O presidente da delegação para as relações com os países da América Latina e Mercosul do Parlamento Europeu, o alemão Rolf Linkohr, do grupo de partidos socialistas europeus, afirmou hoje, durante o debate sobre a crise política na Venezuela, que não acredita no êxito da mediação do Grupo de Amigos para resolver o impasse entre o partido do presidente Hugo Chávez e os oposicionistas. O eurodeputado diz que não duvida da força do Grupo, "que reúne países importantes como Brasil e Estados Unidos", com interesses óbvios de resolver a crise por meio de uma solução pacífica", mas "é pessimista" na avaliação atual da conjuntura venezuelana, "porque os dois lados não demonstram abertura para o diálogo". "Lula não poderá permitir um conflito no norte de seu país", reforça Linkohr, apesar de duvidar do êxito, nesse momento, dos trabalhos do grupo, que ainda não tem um "projeto concreto". Os chanceleres dos países que integram o grupo de amigos para a Venezuela devem reunir-se pela primeira vez, na próxima sexta-feira, na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington. Na opinião de Linkohr, assim como de vários outros eurodeputados, as últimas medidas de Hugo Chávez demonstram a tensão na Venezuela, quando o presidente decidiu invadir empresas privadas. "Não vemos perspectiva de diálogo democrático" pela intensa polarização das posições, diz Linkohr. Uma greve geral de quase dois meses mantém fechadas quase 50 mil empresas e já deu ao cofres públicos prejuízos na ordem de US$ 4 bilhões, somente com o sucateamento da empresa petrolífera estatal. Os eurodeputados lembram que já houve inclusive uma tentativa, "frustrada", de mediação da disputa pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Chavez está cercado por uma coalizão "fechada ao diálogo", que o acusa de ditador e se opõe aos seus princípios de esquerda. Por outro lado, o próprio presidente também tem se demonstrado uma pessoa de "pouca flexibilidade". Os eurodeputados lembraram a complexidade da situação com a ameaça de Hugo Chavéz de formar um outro Grupo de Amigos, depois que o presidente Lula negou o pedido de ampliação desse Grupo, liderado pelo Brasil. Por todos esses motivos, os eurodeputados acreditam que a situação na Venezuela é "delicada" e temem que a solução seja "uma catástrofe". "Para salvar seu país, Hugo Chavéz poderia renunciar e se apresentar de novo", diz Linkohr, mas deixa claro que isso não é uma sugestão, porque a União Européia (UE) prefere, como o Brasil, Chile e México, que a saída seja constitucional. Ou seja: esperar 19 de agosto, quando completa a metade da legislatura de Chávez, prazo previsto na Constituição, para a convocação do referendo revogatório de seu mandato. Oposicionistas x oficialistasAo debate também estiveram presentes o deputado venezuelano oposicionista, Juan Carlos Aspanu, do grupo político Coordenador Democrático, e do oficialista, Filinto Durán Chuecos (Movimento Quinta Repúplica). Aspanu disse que a opinião pública não está bem informada do que se passa em seu país. "Estamos vivendo um crime contra a humanidade, porque estão atirando contra a população em manifestações públicas e isso é de responsabilidade do governo", afirmou Aspanu. Chuecos respondeu com números. Disse que quando Chavéz assumiu, há quatro anos, encontrou um país com 80% de pobreza e 20% de analfabetismo. Hoje, segundo o deputado, a mortalidade infantil foi reduzida de 27% a 21% e o censo escolar aumentou em 25%. "Não temos um Estado de direito apesar das aparências que o governo queira dar", enfatizou Aspanu. A embaixadora da Venezuela, Luíza Romero, não compareceu hoje ao Parlamento. A plenária foi informada que ela está doente. A delegação para as relações com os países da América Latina e Mercosul do Parlamento Europeu faz uma próxima reunião, no dia 19 de fevereiro, mas não há na pauta nenhuma proposta europarlamentar à Venezuela, indica Linkohr. A previsão, segundo Linkohr, é que o tema volte à mesa de discussão apenas em maio, quando acontece, em Bruxelas, entre 19 e 22 de maio, a XVI Conferência Interparlamentária UE-América Latina. Para a coordenação desse trabalho, Linkhor viaja amanhã ao Brasil, onde se encontrará, em Recife, com o deputado Ney Lopes (PFL-RN), presidente do Parlatino.

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