Parlamento Europeu entrega prêmio de Fariñas a cadeira vazia

Dissidente cubano não comparece à cerimônia de entrega do Sakharov, mas envia vídeo

estadão.com.br

15 de dezembro de 2010 | 12h22

Cadeira com bandeira de Cuba, onde Fariñas estaria.

 

BRUXELAS - A exemplo da entrega do prêmio Nobel da Paz, o Parlamento Europeu entregou nesta quarta-feira, 15, o prêmio Sakharov à Liberdade de Pensamento a uma cadeira vazia, que representava o dissidente cubano Guillhermo Fariñas. Dirigentes europeus aproveitaram para pedir mudanças na política de Cuba e a libertação dos presos políticos do país.

 

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Fariñas não obteve autorização do governo cubano para viajar a Estrasburgo, na França, mas enviou um vídeo agradecendo a decisão e pedindo mudanças em Cuba. "Isso (o vídeo) é uma prova irrefutável que infelizmente nada mudou em Cuba", disse o dissidente.

 

As autoridades europeias também pediram mudanças. A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, lamentou a ausência de Fariñas e pediu a "libertação incondicional" de todos os presos políticos cubanos. "Quero parabenizar Fariñas, que recebeu o prêmio em nome de todos aqueles que lutam em Cuba por mais liberdade e pelos direitos humanos", disse.

 

"A União Europeia continuará abordado o tema dos direitos humanos com as autoridades cubanas e neste contexto saúda a recente libertação de um número determinado de prisioneiros políticos. Esperamos que esse processo leve à liberdade todos eles", concluiu Catherine.

 

O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e a ativista pró-democracia de Mianmar Aung San Suu Kyi presenciaram a cerimônia. Ambos também já foram laureados com o prêmio. Em outras duas ocasiões o prêmio já foi concedido a indivíduos ou instituições cubanas - em 2002 para o ativista Oswaldo Paya e em 2005 às Damas de Branco.

 

O prêmio Nobel da Paz, concedido ao dissidente chinês Liu Xiaobo, também foi entregue a uma cadeira vazia. O chinês está preso e nenhum de seus familiares pode ir à cerimônia em Estocolmo, na Suécia.

 

Fariñas ficou famoso por ter feito uma greve de fome contra a prisão de dissidentes em Cuba e em protesto contra a morte de seu colega, Orlando Zapara, que faleceu depois de um longo período em jejum.

 

A greve de fome de Fariñas foi encerrada após o governo cubano anunciar a libertação de 52 presos cubanos como parte de um acordo com a Espanha e com o Arcebispado de Havana.

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