Virginia Mayo/AP
Virginia Mayo/AP

Parlamento Europeu pede ativação do Brexit

Eurodeputados, assim como líderes da União Europeia, pressionam Reino Unido a sair logo para não prejudicar integridade do bloco

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

29 Junho 2016 | 05h00

O Parlamento Europeu aprovou ontem, em Estrasburgo, na França, uma resolução na qual pede ao Reino Unido que ative “imediatamente” a cláusula de desligamento da União Europeia, com o objetivo de “evitar a todos uma incerteza que seria prejudicial e proteger a integridade da união”. 

A manifestação dos eurodeputados ocorreu no dia em que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, participou de sua última reunião de cúpula com chefes de Estado e de governo da União Europeia, após o referendo que decidiu pelo Brexit, a saída do Reino Unido do bloco europeu. 

A resolução no Parlamento foi aprovada por 395 eurodeputados e teve 200 votos contrários. O texto afirma que a “vontade expressa pelo povo britânico deve ser inteira e escrupulosamente respeitada”, e Londres deve abrir as negociações para a ruptura dos vínculos com Bruxelas o mais rapidamente possível. Para tanto, Cameron precisa da autorização da Câmara Baixa do Parlamento britânica, e em seguida deve enviar uma correspondência oficial evocando o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que prevê as cláusulas da dissociação. 

A votação no plenário em Estrasburgo foi marcada por discussões entre o presidente do Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip), Nigel Farage, um dos líderes da campanha vitoriosa pelo Brexit, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Em um discurso no qual reiterou que o Reino Unido não precisa da União Europeia, Farage pediu aos europeus que aceitem negociar um acordo comercial com os britânicos. Em tom agressivo, o nacionalista acusou os eurodeputados de nunca terem trabalhado em suas vidas e fez uma previsão: “O Reino Unido não será o último país-membro a deixar a UE”.

Depois do discurso, permeado por muitas vaias e alguns aplausos, Juncker respondeu. “Lamento muito que seja a última vez que possamos debater, pois você não vai mais voltar aqui”, ironizou. “Você lutou pela saída do Reino Unido. O povo britânico votou em favor da saída. O que você faz aqui?”

Em paralelo, em Bruxelas, Cameron participou da última reunião de cúpula da UE como um dos 28 integrantes. Em um clima melancólico, pediu “discussões o mais construtivas possível” por uma relação “estreita”, com foco em comércio e cooperação em segurança.

Mas o presidente da França, François Hollande, acentuou a pressão para que Cameron faça logo o pedido de saída. “Não imagino que um governo britânico, qualquer que seja, não vá respeitar a escolha de seu provo”, afirmou. “É preciso iniciar o procedimento de saída da UE o mais rapidamente possível e, depois, iniciar negociações.”

Já a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, revelou que o bloco prepara a reforma de suas instituições até o aniversário de 60 anos do Tratado de Roma, em 2017, razão pela qual os líderes pretendem virar logo a página do Brexit. A chanceler descartou ainda a possibilidade de que Londres possa escolher “à la carte” o que quer e o que não quer na união.

“Quem deixa a família não pode esperar que seus deveres desapareçam e seus privilégios sejam mantidos”, alfinetou. A declaração foi uma clara resposta ao conservador britânico Boris Johnson, líder da campanha pelo Brexit e favorito para o cargo de premiê, que diz ser possível ter vantagens da UE mesmo fora do bloco.

Ontem, milhares de britânicos protestaram no centro de Londres contra o Brexit. Na capital, mais de 60% dos eleitores votaram pela permanência.

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