AFP PHOTO / Ronaldo SCHEMIDT
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Parlamento Europeu pede calendário eleitoral na Venezuela como forma de acabar com crise

Apoiado por socialistas, eurodeputados condenaram 'repressão brutal' às manifestações e pediram libertação de presos políticos

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

27 Abril 2017 | 11h06

GENEBRA - Uma resolução apoiada por deputados socialistas foi aprovada no Parlamento Europeu nesta quinta-feira, 27, condenando a “repressão brutal” na Venezuela e pressionando ainda mais o governo de Nicolás Maduro. O texto, que alerta para a existência de “grupos armados irregulares” no país, pede a definição de um calendário eleitoral para a Venezuela como forma de superar a crise atual.

Na avaliação do órgão europeu, há uma “contínua violação inconstitucional da ordem democrática na Venezuela”. Citando as tentativas de suspender os poderes da Assembleia Nacional em Caracas, o Parlamento Europeu insistiu em apelar para que o governo venezuelano “garanta a total restauração da democracia”. 

“Expressamos nossa profunda preocupação com a séria deterioração da democracia e da situação de direitos humanos e socioeconômicos, num clima de instabilidade política e social”, alertaram os eurodeputados.

No centro das reivindicações, os deputados querem que Maduro apresente um calendário eleitoral que permita “um processo eleitoral transparente e livre como única forma de solucionar o impasse político”. Para isso, porém, o líder opositor Henrique Capriles terá de voltar a ser considerado um potencial candidato. “Pedimos que o governo coloque fim à prática de impedir que líderes da oposição possam exercer seus direitos políticos”, diz o texto. 

Os europeus ainda apelam ao governo chavista que respeite a constituição e o mandato dos deputados eleitos, além de promover uma “liberação imediata e incondicional” de todos os prisioneiros políticos. “Não haverá uma solução durável para a Venezuela a longo prazo se existem prisioneiros políticos”, alertam. 

Os deputados reforçaram um pedido recente da ONU para que o governo investigue as mais de 20 mortes registradas no país nos últimos dias e permita que protestos pacíficos possam ocorrer. A resolução ainda cobra Maduro para que assegure a liberdade de expressão e de imprensa. 

No texto, o governo é pressionado a permitir que a ajuda humanitária e organizações internacionais possam entrar no país para dar assistência aos setores mais atingidos pela crise. 

O texto foi aprovado por 450 votos a favor, 35 contra e 100 abstenções. Contudo, um dos partidos que o apoiou foi o Socialista, dentro de uma aliança com os grupos de centro-esquerda. 

“Pedimos ao governo e à oposição que passem a dialogar para poder superar a crise, pelo bem do povo venezuelano”, disse Ramon Atondo, eurodeputado da Aliança de Socialistas e Democratas e co-presidente do Grupo Europa América Latina no Parlamento. “A situação é muito preocupante”, disse. 

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