AP Photo/Thanassis Stavrakis
AP Photo/Thanassis Stavrakis

Ex-membro de partido neonazista, deputado grego é preso em Bruxelas após perder imunidade

Na Grécia, Ioannis Lagos já foi condenado a 13 anos e oito meses de prisão por "dirigir uma organização criminosa"

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2021 | 09h30
Atualizado 27 de abril de 2021 | 14h59

BRUXELAS - O eurodeputado grego Ioannis Lagos, ex-integrante do partido neonazista Aurora Dourada e condenado em seu país a 13 anos e oito meses de prisão por "dirigir uma organização criminosa", foi preso nesta terça-feira, 27, em Bruxelas, poucas horas depois de o Parlamento Europeu retirar a imunidade do político.

A prisão foi informada pela polícia grega. Uma fonte da corporação em Atenas confirmou à AFP que Lagos foi detido após um mandado de prisão internacional em seu nome ser emitido.

A decisão pela retirada da imunidade parlamentar de Lagos foi adotada por grande maioria dos membros do Parlmaneto Europeu, em votação secreta, com 658 eurodeputados que deliberaram pelo fim da imunidade, 25 contrários e 10 que optaram pela abstenção.

O procedimento aconteceu a pedido das autoridades gregas, que agora devem emitir uma ordem de detenção europeia contra Lagos.

O eurodeputado de 48 anos está entre os 40 membros do Aurora Dourada condenados em outubro, em Atenas, após um processo de cinco anos e meio.

Ex-dirigente do partido de extrema-direita, Lagos foi colocado em prisão preventiva, como toda a direção do partido, após o assassinato de um ativista antifascista em setembro de 2013, mas ecebeu liberdade condicional 18 meses depois da prisão preventiva para aguardar pelo julgamento na Grécia.

O líder do Aurora Dourada, Nikos Michaloliakos, está preso, mas o número dois da formação, Christos Pappas, está foragido.

O caso é amplamente considerado como um dos mais importantes contra neonazistas na Europa contemporânea, onde as forças da extrema-direita se fortaleceram durante a crise financeira dos últimos anos, ainda mais após a crise de refugiados de 2015- 2016.

O deputado grego tinha imunidade desde sua eleição para o Parlamento Europeu, em julho de 2019, sob a bandeira do Aurora Dourada, partido que abandonou poucos meses depois para declarar-se independente.

Processo lento

O Parlamento Europeu foi criticado por levar meses para deliberar sobre a perda da imunidade de Lagos e por se recusar a priorizar o caso do político grego em relação a outros com questões jurídicas menores.

A comissão competente do Parlamento defendeu seu ritmo e priorização de casos em parte como uma questão de desaceleração das deliberações por causa do surto de coronavírus e em parte como um esforço para seguir meticulosamente o protocolo para evitar quaisquer acusações de parcialidade.

A comissão recomendou ao Parlamento Europeu a perda da imunidade de Lagos na semana passada, em uma votação anônima de 22 a 2.

Agora, o próximo passo é as autoridades gregas pedirem às autoridades da Bélgica, onde o Parlamento tem sede e Lagos é residente, que o deputado seja preso e extraditado.

Caberia então aos tribunais belgas decidir sobre o pedido, o que pode levar meses. Se os belgas bloquearem o pedido, Lagos continuará a ter assento no Parlamento Europeu, mas isso parece altamente improvável. / AFP e NYT.

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