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Parlamento Europeu suaviza relatório sobre vôos da CIA

O relator do Parlamento Europeu sobre atividades antiterroristas da CIA (agência de inteligência americana), o socialista italiano Giovanni Claudio Fava, aceitou nesta terça-feira suavizar seu texto de conclusões, para garantir sua aprovação na votação de amanhã.O apoio dos grupos de esquerda e dos liberais, assim como a divisão nas fileiras do Partido Popular Europeu permitem prever que o texto será aprovado no plenário com uma certa folga, apesar das 270 emendas apresentadas, segundo fontes dos diferentes partidos.O documento, aprovado em 23 de janeiro pela comissão que investigou as atividades da agência americana, confirma que os Estados Unidos adotaram "sistematicamente" um programa de "entregas extraordinárias" - prisão e encarceramento extrajudicial de suspeitos de terrorismo - após o 11 de setembro de 2001.Pelo menos 1.245 vôos operados pela CIA em aeroportos da União Européia (UE) são citados, assim como uma dezena de casos em que as vítimas foram cidadãos europeus, ou residentes na UE, e considera "inverossímil" que certos governos da União não estivessem a par dessas ações.Mas, para obter um respaldo majoritário no plenário, Fava aceitou suavizar e retirar as críticas específicas feitas às autoridades da Alemanha, da Polônia e da Romênia.Assim, ao retirar a menção sobre o possível conhecimento que o governo de Gerhard Schröder teve do seqüestro do alemão Khaled El Masri e da detenção do turco Murat Kurnaz em Guantánamo, garantiu a aprovação dos socialistas alemães.Por outro lado, aceitou uma emenda que assinala que "até o momento não há evidências que mostrem um envolvimento direto do governo alemão" nestes casos.Fava também admitiu diminuir o tom sobre as dúvidas em relação à existência ou não de prisões secretas na Polônia e na Romênia. Tais pontos ameaçavam provocar a rejeição das delegações de deputados dos dois países.Também aceitou que o texto final já não contemple expressamente a possibilidade de sancionar, com base no artigo 7º do Tratado da UE, os estados-membros que tenham violado os direitos e liberdades fundamentais do bloco, ao cooperar com as ações americanas.Em princípio, os ajustes de Fava não impedirão que os grupos de esquerda apóiem o relatório, mas muitos desses deputados defenderão emendas que elevam o tom das conclusões.O projeto de conclusões pede aos países europeus que não tenham iniciado investigações "em nível governamental, parlamentar e/ou judicial" que o façam.A principal incógnita é a posição do Partido Popular Europeu - o maior, com 277 das 784 cadeiras do Parlamento Europeu - que fez uma reunião para discutir sua posição sobre o assunto, nesta terça, 13.

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