SABAH ARAR/AFP
SABAH ARAR/AFP

Parlamento iraquiano aprova reformas contra corrupção e sectarismo

Em raro sinal de união, legisladores passaram por unanimidade projeto do governo que, entre outra coisas, elimina os cargos de vice-presidente e vice-premiê e corta privilégios de políticos

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 10h31

BAGDÁ - O parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira, 11, por unanimidade as reformas políticas para lutar contra a corrupção, o sectarismo e os privilégios políticos propostas pelo primeiro-ministro, Haider Abadi. A medida, entre outras coisas, eliminar três cargos simbólicos de vice-presidências e elimina cargos de alto escalão. 

Em uma sessão transmitida pela televisão oficial, os 297 deputados presentes - do total de 328 - votaram a favor das reformas. As mudanças também aumentam os poderes do primeiro-ministro, permitindo que ele tire os governadores provinciais e os chefes dos conselhos provinciais e locais dos seus cargos.

Depois da aprovação da reforma, Abadi publicou uma mensagem em sua página no Facebook parabenizando os iraquianos e prometendo "continuar no caminho das reformas, com fé em Deus e o apoio do povo", mesmo que isso custe sua própria vida.

O Conselho de Ministros já aprovou há dois dias essas medidas em reunião extraordinária realizada após as recentes manifestações e as críticas ao Executivo, incluídas as da máxima autoridade religiosa, aiatolá Ali Sistani.

O presidente do parlamento, Salim Jabouri, pediu nesta terça-feira que o Conselho Supremo de Justiça elabore um documento que garanta sua independência. 

Jabouri também anunciou que os deputados estão obrigados a apresentar provas sobre qualquer denúncia de corrupção e que vai ser formada uma comissão para investigar estes casos. 

O político prometeu ainda que essa "será a primeira, mas não a última (medida) a continuar no caminho das reformas, com o mesmo espírito e sem nenhum hesitação".

O pacote de medidas inclui a eliminação dos cargos de vice-presidente e vice-primeiro-ministro, ocupados pelo ex-primeiro-ministro Nouri al-Maliki e por Saleh Mutlak, respectivamente, assim como o corte de privilégios especiais dos máximos responsáveis.

Abadi apresentou estas propostas no domingo, dois dias depois que milhares de pessoas se manifestaram em Bagdá e em várias cidades do sul contra a corrupção, a deterioração dos serviços, especialmente a eletricidade e a água, e a situação de insegurança.

Máxima autoridade religiosa xiita, Sistani, solicitou ao presidente do executivo que fosse mais "valente" na luta contra a corrupção.

A ocupação de Mossul, em julho do ano passado por parte do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), suscitou uma profunda crise de governo do então primeiro-ministro Nouri al-Maliki, que foi acusado de sectarismo e de não ser capaz de evitar a invasão.

Desde então, as autoridades não puderam conter o grupo radical, que proclamou um califado nos territórios que controla na Síria e no Iraque. / EFE e AP

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