Parlamento islâmico volta a se reunir na Líbia

O antigo parlamento da Líbia, dominado por congressistas islâmicos, reuniu-se novamente nesta segunda-feira e votou pela dissolução do governo interino do país, desafiando eleitores que elegeram seus oponentes. A decisão coloca o país em uma situação complicada, com dois governos e duas Assembleias, aprofundando as cisões e favorecendo a escalada do confronto político que tem dividido o país.

Estadão Conteúdo

25 de agosto de 2014 | 17h38

O parlamento islâmico votou unanimemente pela nomeação de um novo "governo de salvação nacional" liderado por Omar al-Hassi, um professor universitário. Ao mesmo tempo, milícias ligadas ao Islã declararam em depoimento terem "liberado" todas as instalações e bases militares da capital Tripoli, convidando as Nações Unidas e os diplomatas estrangeiros a voltarem ao país.

O novo parlamento eleito da Líbia, enquanto isso, continua a se reunir na cidade de Tobruk, no extremo leste, longe da violência entre militantes. Esses congressistas tratam as milícias islâmicas como grupos terroristas. Eles também dispensaram o chefe de gabinete do governo, acusado de ter vínculos com grupos islâmicos, e nomearam um substituto que prometeu nesta segunda-feira uma guerra contra os "terroristas".

O governo interino da Líbia, também impossibilitado de retornar à capital, tem se reunido na cidade de Bayda, no leste. O presidente enviou seu ministro das Relações Exteriores ao Egito para que se encontrasse com autoridades do país vizinho e discutisse maneiras de dar fim à violência. Como resultado da reunião, as autoridades pediram o desarmamento das milícias e o fim das intervenções militares estrangeiras nas questões da Líbia.

A retomada de poder pelo Congresso evidencia a falta de lei que tomou conta da Líbia desde que rebeldes derrubaram o ditador Muamar Kadafi, em 2011, e mais tarde formaram milícias que nenhum governo foi capaz de amansar. Na capital Tripoli, militantes islâmicos têm tentado estabelecer seu poder, após assumirem o controle sobre o aeroporto da cidade e forçarem a fuga dos grupos rivais.

Na segunda-feira, ataques retaliatórios atingiram Tripoli, acertando casas e prédios de rivais dos grupos islâmicos, incluindo o primeiro-ministro Abdullah al-Thinni. Ele acusou as os militantes de atacarem e atearem fogo em sua casa, após saqueá-la. Fonte: Associated Press.

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