JOSEPH EID / AFP
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Líbano escolhe novo primeiro-ministro sob pressão de Macron, que retorna a Beirute

Embaixador do Líbano na Alemanha, Mustapha Adib, assumiu com compromisso de formar uma nova equipe ministerial em tempo recorde e dar início a reformas tidas como urgentes; presidente francês volta ao país pela 2ª vez em menos de um mês

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2020 | 08h45
Atualizado 31 de agosto de 2020 | 18h49

BEIRUTE - O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu nesta segunda-feira, 31, o estabelecimento de um governo no Líbano o mais rápido possível, ao chegar em Beirute em sua segunda visita em menos de um mês àquele país.  O embaixador do Líbano na Alemanha, Mustapha Adib, foi escolhido como novo primeiro-ministro nesta segunda-feira, 31.

"Tenho visto que nas últimas horas começou um processo que permitiu o surgimento de uma figura como primeiro-ministro", disse Macron, acrescentando que espera que um governo seja formado "o mais rápido possível para implementar as reformas". 

Macron visitou o Líbano pela segunda vez desde a trágica explosão de 4 de agosto para tentar ajudar a resolver a profunda crise política naquele país. Desta vez ele participará do centenário do nascimento dessa nação do Oriente Médio em suas atuais fronteiras. 

Os legisladores libaneses apontaram Adib, que prometeu reformas e um acordo com o FMI. A escolha foi feita sob pressão da França, que tem reiterado os pedidos por celeridade na formação de um governo.  

Autoridades libanesas de alto escalão disseram que a mediação de Macron foi essencial para se chegar a um acordo a respeito de um novo premiê nas 48 horas que transcorreram até surgir um consenso a respeito de Adib — na semana passada, políticos estavam em um impasse quanto ao nome a escolher. No passado, a formação de governos chegou a demorar meses. 

Adib, um acadêmico de 48 anos relativamente desconhecido, foi nomeado pela maioria dos parlamentares após consultas realizadas no palácio presidencial. 

Imediatamente após sua nomeação, o novo primeiro-ministro se dirigiu para um dos bairros devastados pela explosão no porto de Beirute em 4 de agosto, onde declarou que deseja "a confiança" da população.

"Agora é hora de agir", afirmou o novo primeiro-ministro, prometendo formar rapidamente uma equipe de especialistas e pessoas competentes para "conduzir reformas imediatamente".

"A tarefa que aceitei baseia-se no fato de que todas as forças políticas (...) estão cientes da necessidade de formar um governo em tempo recorde e de começar a implementar reformas, a partir de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)", expressou Adib em um discurso na TV. 

Em um comunicado, o FMI comemorou com moderação sua nomeação, e reiterou seu desejo de que as autoridades libanesas respondam à pandemia no país. 

Por sua vez, o Banco Mundial (BM) destacou que a explosão causou prejuízos e destruição estimados em US$ 6,7 bilhões e US$ 8,1 bilhões. O país precisava urgentemente de US$ 605 milhões a US$ 760 milhões para sair da situação, acrescentou a instituição.

'Fonte de todos os males'

Mustapha Adib, um professor universitário relativamente desconhecido pela opinião pública, foi escolhido no domingo à noite pelos pesos-pesados da comunidade sunita, da qual o chefe de governo deve vir. 

A presidência está reservada para um cristão maronita e a presidência do Parlamento para um muçulmano xiita.

O presidente do país, Michel Aoun, reconheceu na véspera, em um discurso em ocasião do centenário do Líbano, comemorado na terça-feira, que é necessário mudar o sistema político, e pediu um "Estado laico".

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No mesmo dia, o poderoso chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse estar disposto a negociar um novo "pacto político" no Líbano, onde comunidades religiosas compartilham o poder. 

Da mesma forma, Nabih Berri, presidente do Parlamento e chefe do movimento libanês xiita Amal, pediu nesta segunda-feira para "mudar o sistema sectário" que governa a política no Líbano, "a fonte de todos os males" segundo ele. 

Mas o professor universitário, próximo do ex-primeiro-ministro e bilionário Najib Mikati, de quem era chefe de gabinete, deve ser rejeitado pelo movimento de contestação popular.  

'O luxo do tempo' 

Hassan Sinno, integrante de um grupo da sociedade civil, advertiu que seu movimento rejeitaria qualquer candidato do sistema. "Não daremos tempo, como alguns de nós erroneamente deram a Hassan Diab, para ter sucesso. Não temos mais o luxo do tempo", disse à agência France Presse

O ex-primeiro-ministro Hassan Diab, indicado pelos partidos governantes, renunciou em 10 de agosto após a explosão que deixou pelo menos 188 mortos e devastou bairros inteiros da capital. 

A tragédia, decorrente da presença de uma enorme quantidade de nitrato de amônio no porto de Beirute, fato de conhecimento das autoridades, alimentou a ira da população, que acusa a classe política de negligência e corrupção.

Adib obteve a aprovação das principais bancadas parlamentares. Apenas o partido cristão das Forças Libanesas, que se posicionou na oposição desde o levante popular em outubro de 2019, apoiou o independente Nawaf Salam, um ex-embaixador na ONU. /AFP e REUTERS

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