Parlamento oposicionista toma posse no Paquistão

Assembléia se reúne na quarta-feira para escolha do primeiro-ministro; aliança pode expulsar presidente

KAMRAN HAIDER, REUTERS

17 de março de 2008 | 11h08

A nova Assembléia Nacional do Paquistão tomou posse nesta segunda-feira, 17, abrindo caminho para um confronto da oposição com o presidente Pervez Musharraf. Os governistas foram derrotados na eleição parlamentar de 18 de março, e Musharraf provavelmente terá de convidar os vitoriosos a formarem uma coalizão que poderá até mesmo expulsar o presidente do poder. Aliados ocidentais e vizinhos do Paquistão temem que um confronto entre o presidente e o novo governo leve a mais distúrbios no país, que tem armas nucleares e enfrenta uma onda de atentados. A posse parlamentar contou com um forte esquema de segurança na sede da Assembléia. Houve restrições ao tráfego na avenida em frente ao prédio. O Parlamento volta a se reunir na quarta-feira para escolher o primeiro-ministro. O Partido do Povo do Paquistão, da falecida ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, conquistou a maior bancada da Assembléia, que tem 342 deputados. Como isso não basta para formar o governo, o líder do partido, Asif Ali Zardari, viúvo de Bhutto, assinou em fevereiro um acordo para formar uma coalizão com o partido do ex-premiê Nawaz Sharif, que conseguiu a segunda maior bancada. Um pequeno partido regional e um partido religioso também devem participar. Nem Zardari nem Sharif disputaram a eleição, mas ambos foram ao Parlamento para assistir à posse das galerias. "É o primeiro passo para a democracia. Enviamos esta mensagem ao mundo que a democracia deve ser ajudada e que a democracia é o dia final da ditadura", disse Zardari a jornalistas. Num sinal de confronto com o isolado Musharraf, um político do PPP disse que a bancada está tomando posse sob a velha Constituição democrática, e não sobre a versão emendada que Musharraf impôs depois de decretar estado de emergência, em novembro. Os dois principais líderes oposicionistas prometem reinstaurar o poder dos juízes afastados pelo presidente naquela época. Caso voltem aos cargos, esses juízes devem reabrir os processos que contestavam a reeleição de Musharraf, que disputou a eleição presidencial indireta de outubro ainda como comandante do Exército. A oposição diz que a reeleição dele nessas condições foi inconstitucional.

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