Parlamento palestino pede que Arafat aceite a renúncia de Korei

O Parlamento palestino aprovou hoje uma resolução exigindo que Yasser Arafat aceite a renúncia do primeiro-ministro, Ahmed Korei, e de seu gabinete. Incapaz de lidar com a onda de manifestações e seqüestros na região, Korei apresentou sua renúncia no último sábado, mas, até agora, Arafat se recusa a aceitá-la.Segundo alguns ministros palestinos, Korei aceitou manter-se no cargo apenas de maneira interina. Ele teria dita a Arafat que só se manteria no cargo se o líder palestino cedesse mais poderes a ele e seu gabinete para lidar com os problemas de segurança que têm assolado a Faixa de Gaza.Rauhi Fattouh, porta-voz do Conselho Legislativo, disse que o parlamento deverá se reunir na quinta-feira em caráter emergencial para decidir qual o próximo passo. Legisladores já consideram entrar em greve durante um mês para protestar contra a recusa de Arafat.A resolução do parlamento palestino ocorreu no dia seguinte ao ataque, a tiros, contra Nabil Amr, antigo ministro e ferrenho opositor da liderança de Arafat na Autoridade Palestina. Ele ficou gravemente ferido depois que um atirador disparou contra ele da sacada de sua casa. Korei argumenta que o incidente de Nabil é um exemplo da ?profunda crise na segurança? que assola os territórios palestinos. De acordo com um pronunciamento emitido por seu gabinete, ?esta é uma prova dos perigos de se continuar com a paralisia de nosso aparato de segurança?.Arafat ordenou uma investigação sobre o atentado. De acordo com a agência oficial de notícias palestina Wafa, ele telefonou hoje a Amr, na Jordânia, para saber de seu estado de saúde e enviou guarda-costas para protegê-lo. Ontem, ainda em Ramala, ele pediu calma e insinuou que alguém estava tentando silenciá-lo. ?Se a intenção era me silenciar, quero que todos saibam que eu sempre acreditei nas minhas palavras, que dedico meus esforços para ver meu Estado Palestino tendo Jerusalém como capital?.Oficiais palestinos condenaram o atentado, afirmando que ele traria sérias repercussões. ?Se não pudermos restabelecer a ordem e a lei, este terá sido o maior dano ao povo palestino e sua causa?, disse o ministro Saeb Erekat.Nos últimos dias, Amr aumentou suas críticas contra Arafat e sua reticência em abrir mão do controle das forças de segurança. Ele foi atacado horas depois do encontro entre Korei e o líder palestino, exigindo mais poderes ao gabinete.Para o ministro Qadoura Fares, ?Arafat é o maior responsável pelo fracasso [do governo]. Fracassaram Arafat, o governo e os partidos políticos palestinos?.

Agencia Estado,

21 de julho de 2004 | 11h46

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