Parlamento paquistanês condena ataque dos EUA a Bin Laden

O Parlamento paquistanês condenou neste sábado a operação norte-americana que matou Osama bin Laden, pedindo uma revisão nos laços do país com os Estados Unidos e alertando que o Paquistão pode interromper o envio de suprimentos para as forças dos EUA no Afeganistão no caso de mais ataques.

ZEESHAN HAIDER, REUTERS

14 de maio de 2011 | 11h21

O chefe da inteligência paquistanesa disse que está pronto para renunciar após o caso Bin Laden, que deixou o país em situação desconfortável e aumentou as suspeitas de que os agentes de segurança paquistaneses sabiam onde o líder da Al Qaeda se escondia.

Na sexta-feira, dois homens-bomba atacaram uma academia militar no noroeste do país, matando 80 pessoas, no que o Taliban paquistanês chamou de primeiro ato para vingar a morte de Bin Laden, ocorrida no dia 2 de maio.

A operação secreta norte-americana no refúgio de Bin Laden, localizado na cidade de Abbottabad, 50 quilômetros ao norte da capital Islamabad, piorou os já conturbados laços entre paquistaneses e norte-americanos.

O ataque também causou críticas ao governo e ao setor militar do Paquistão, principalmente por Bin Laden ter aparentemente vivido por anos em solo paquistanês sem que fosse notado, mas também porque eles não descobriram e impediram a operação dos EUA para chegar ao líder da Al Qaeda.

"O Parlamento... condenou a ação unilateral em Abbottabad, o que constitui em uma violação da soberania nacional", afirmou o Congresso em resolução emitida depois que chefes das forças de seguranças falaram com legisladores.

O Paquistão classificou como absurdas quaisquer acusações de que as autoridades sabiam que Bin Laden se escondia em um complexo com altos muros perto da maior academia militar da nação.

O governo norte-americano não acusou o Paquistão de cumplicidade por esconder Bin Laden, mas afirmou que ele deveria ter algum tipo de rede de apoio, e quer descobrir de onde vinha essa ajuda.

Membros de ambas as esferas parlamentares disseram que o governo deveria rever os laços com os Estados Unidos para proteger os interesses nacionais do Paquistão. Legisladores também pediram o fim dos ataques norte-americanos a militantes com aviões teleguiados, que não utilizam pilotos.

Eles também pediram a instauração de uma comissão independente para investigar o caso de Bin Laden.

Oficialmente, o Paquistão é contra aviões teleguiados, dizendo que estes violam sua soberania e aumentam o ódio popular, embora autoridades norte-americanas digam há tempos que tais operações são embasadas em um acordo entre as duas nações.

Legisladores afirmaram que as "ações unilaterais" norte-americanas, como o ataque em Abbottabad, além de operações com aviões teleguiados, são inaceitáveis, e que o governo deveria considerar a possibilidade de cortar as linhas de suprimentos para as forças dos EUA no Afeganistão, que passam diretamente pelo Paquistão, caso tais ações não cessem.

Horas antes, um avião teleguiado norte-americano disparou mísseis em um veículo no Waziristão do Norte, na fronteira com o Afeganistão, causando a morte de cinco militantes.

Foi o quarto ataque do tipo desde a morte de Bin Laden.

A polícia na cidade de Charsadda afirmou que recolheu para análise partes de corpos dos dois homens-bomba que atacaram a entrada de uma academia militar. O ataque aconteceu enquanto os recrutas estavam saindo de licença.

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