Parlamento pede renúncia de presidente israelense por suspeita de assédio

Em meio ao aprofundamento das denúncias e das investigações de assédio sexual contra o presidente de Israel, Moshe Katsav, vêm à tona pedidos para que ele renuncie - ou pelo menos se licencie do cargo. Entretanto, no seu segundo dia de depoimento, o presidente avisou que não tem planos de deixar o mandato.As investigações concentram-se nas queixas de duas antigas empregadas que disseram ter sido assediadas por Katsav. Uma das mulheres acusou o presidente inclusive de receber dinheiro para conceder perdões, uma das poucas atribuições de seu cargo.O deputado trabalhista Yoram Marciano anunciou que começou a coletar o mínimo de 20 assinaturas necessárias para iniciar um processo de impeachment no Parlamento."Procurei o presidente há um mês e meio e sugeri a ele que se licenciasse durante as investigações", relatou Marciano à Associated Press."Uma vez que ele recusa-se a licenciar-se, o que posso fazer como parlamentar é coletar assinaturas de outros deputados e viabilizar o processo de impeachment", prosseguiu.Marciano afirmou que mais de 20 parlamentares já prometeram assinar sua petição, que precisa ser avaliada e aprovada pela comissão de constituição e justiça do Parlamento antes de ir a plenário.Ruhama Abraham, uma deputada do Likud que chefia a comissão, disse que não convocará nenhuma reunião enquanto a investigação policial estiver em andamento. Apesar disso, ela também sugeriu a Katsav que se licencie por algum tempo.Renúncia anteriorEzer Weizman, antecessor de Katsav na presidência de Israel, renunciou em 2000, pouco antes da conclusão de seu mandato, depois da procuradoria-geral ter considerado que ele agiu inadequadamente ao aceitar mais de US$ 300 mil em presentes de um milionário francês.Weizman não chegou a ser indiciado, mas o incidente manchou a imagem da presidência, vista em Israel como um símbolo do país e que deveria estar acima de escândalos. A atual investigação fere ainda mais a imagem presidencial."O presidente não deve ser apenas livre dos pecados, ele precisa estar acima de qualquer suspeita", comentou o jurista Zeev Segal em coluna publicada nesta quinta-feira pelo jornal Haaretz.

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