Parlamento ratifica Motlanthe como presidente sul-africano

Aliado do líder do partido governista assume o lugar de Mbeki até as eleições presidenciais de abril de 2009

Agências internacionais,

25 de setembro de 2008 | 09h51

O vice-presidente do partido Congresso Nacional Africano (CNA), Kgalema Motlanthe, foi designado nesta quinta-feira, 25, como novo presidente da África do Sul pelo Parlamento do país. O aliado do presidente da legenda governista, Jacob Zuma, substituirá Thabo Mbeki na Presidência, que foi obrigado a renunciar ao cargo no fim de semana por pressão do partido.   O novo presidente, um ex-sindicalista moderado, terá como missão apaziguar a luta interna dentro do CNA meses antes das eleições gerais previstas para abril de 2009. O partido retirou o voto de confiança de Mbeki porque considerou que Mbeki pressionou a Justiça para condenar o presidente do CNA, Zuma, pelas acusações de corrupção. Em 2005, ele foi acusado de receber propina de um fabricante de armas francês e destituído da vice-presidência antes de ser julgado.   Motlanthe, que recebeu 269 votos, é o terceiro presidente negro da África do Sul, depois da queda definitiva do regime segregacionista do "apartheid". O partido opositor Aliança Democrática, o único que apresentou outro candidato, Joe Seremane, recebeu 50 votos e houve 41 votos nulos, do total de 360 parlamentares presentes à sessão.   Nos últimos meses, Motlanthe liderou uma campanha de reconciliação nacional para tranqüilizar a minoria branca e os investidores estrangeiros preocupados com a reputação populista de Zuma. Discreto, sempre evitou falar em ambição presidencial. Ele assume como interino, permanecendo no cargo até a eleição que deve ratificar Zuma na Presidência.   O novo presidente é visto como uma figura forte e unificadora. Ele nunca foi para o exílio como outros membros importantes do partido, o que gera comparações por exemplo com o respeitado ministro das Finanças Trevor Manuel. Ainda que tenha defendido Zuma quando este foi acusado de corrupção, ele ganhou respeito entre os moderados por conter os mais exaltados partidários de Zuma.   Motlanthe contrasta bastante com o austero e intelectual Mbeki. O novo presidente, de 59 anos, nasceu em uma família da classe trabalhadora, nas proximidades de Johannesburgo, enquanto Mbeki é filho de professores e estudou economia. Durante a década de 1970, Motlanthe recrutou pessoas para receberem treinamento militar e em seguida realizarem sabotagens pelo país. Em 1977 ele foi condenado a dez anos de prisão em Robben Island, onde Nelson Mandela estava detido. Após sua libertação, tornou-se uma figura importante do Sindicato Nacional dos Mineiros, até ser nomeado secretário-geral do ANC, em 1997. Ele foi apontado como o vice-presidente da sigla em dezembro e como ministro do governo em julho.   Mbeki deixa a presidência após uma década no poder - ele assumiu o país das mãos de Nelson Mandela, em 1999. Ao contrário de seu antecessor, no entanto, Mbeki retira-se da política sul-africana pela porta dos fundos. Apesar de o país ter crescido em média 5% ao ano na última década, a riqueza foi mal distribuída - a população que vive na miséria absoluta dobrou -, o índice de desemprego atingiu 26% e a criminalidade bateu recorde. A política de combate à aids também foi um fracasso: 5,5 milhões de sul-africanos são soropositivos - a população mais infectada do planeta.   Mbeki também foi bastante criticado por sua política externa. Durante sua gestão, a África do Sul aproximou-se de Cuba, Irã e Líbia, e ajudou a China a vetar na ONU o debate sobre a violação de direitos humanos em Mianmar. Mbeki também foi considerado o principal responsável pela sobrevida de Robert Mugabe, ditador do vizinho Zimbábue.    

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