Parlamento reconhece Québec como nação dentro do Canadá

O Parlamento canadense reconheceu formalmente o povo de Québec como uma nação dentro do Canadá, num ato simbólico de boa vontade que levou à renúncia de um ministro e que passou a alimentar temores de que a província poderia voltar a pressionar por independência. A moção apresentada na segunda-feira pelo primeiro-ministro conservador Stephen Harper, declara que os habitantes de Québec integram uma nação dentro de um Canadá unido. A resolução é amplamente simbólica e não exige nenhuma espécie de alteração nas leis ou de apresentação de proposta de emenda constitucional. A moção proposta pelo chefe de governo conservador conquistou o apoio dos liberais e dos novos democratas, ambos de oposição, o que facilitou sua aprovação no Parlamento. Estima-se que a proposta do chefe de governo teve como objetivo esvaziar uma iniciativa similar do Bloc Quebecois, o partido que representa Québec no Parlamento canadense. Cientes da manobra, os integrantes da agremiação apoiaram com relutância a proposta de Harper. "Este governo acredita piamente que chegou o momento para a reconciliação nacional", declarou Harper perante a Câmara dos Comuns horas antes da votação, iniciada na noite de segunda-feira. Apesar disso, há temores de que o reconhecimento provoque divisões, alimentando as aspirações dos separatistas de Québec e de outros grupos étnicos e indígenas com iniciativas similares de independência. Antes da votação, Michael Chong renunciou ao cargo de ministro de Assuntos Intergovernamentais sob a alegação de que não poderia aceitar o "nacionalismo étnico" implícito na iniciativa de Harper. O povo de Québec já levou a referendo em duas ocasiões a proposta de independência da província. A última dessas iniciativas, ocorrida em 1995, foi rechaçada por estreita margem.

Agencia Estado,

28 Novembro 2006 | 14h38

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