Richter Frank-Jurgen/Horasis
Richter Frank-Jurgen/Horasis

Parlamento russo cassa imunidade de deputado que votou contra anexação da Crimeia

Ilya Ponomarev foi o único legislador a se opor à anexação; ele é acusado de má gestão de recursos e peculato

O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2015 | 12h40

MOSCOU - O Parlamento russo cassou nesta terça-feira, 7, a imunidade parlamentar do deputado Ilya Ponomarev - único legislador que há um ano não aprovou a anexação da Crimeia - e autorizou a Procuradoria Geral a abrir uma investigação penal contra o político, atualmente exilado nos Estados Unidos.

A decisão foi apoiada por 438 parlamentares - apenas 1 votou contra - depois de o procurador geral adjunto, Alexandr Buksman, pedir ao Legislativo que tomasse as medidas necessárias para processar Ponomariov, eleito em 2011 pelo partido Rússia Justa.

A Duma - câmara baixa do Parlamento russo - deu autorização para que Ponomariovseja processo por má gestão de recursos públicos. Segundo o porta-voz do Comitê de Instrução (CI), Vladímir Markin, como o político perdeu a imunidade parlamentar, também será acusado de peculato.

O deputado opositor é acusado de ter feito parte, em 2010, de um esquema que desviou o equivalente a US$ 750 mil do fundo de inovação "Skolkovo", conhecido como Vale do Silício russo. De acordo com o CI, o valor teria sido pago de maneira fraudulenta para o deputado pelo vice-presidente do Skolkovo, Alexéi Beltiukov.

Ponomariov foi eleito em 2011 com uma plataforma de oposição, mas seu partido não enfrenta, de fato, o governo de Vladimir Putin. A partir de 2011, o deputado passou a fazer parte da organização de protestos populares contra supostas fraudes nas eleições legislativas de outubro daquele ano e na eleição presidencial em maio de 2012.

Em 2013, o deputado se desligou do Rússia Justa depois de outro político de oposição, o também deputado Guennadi Gudkov ser expulso do partido por se opor ao Kremlin. Em março do ano passado, Ponomariov se tornou o único político da Duma a votar contra a anexação da Crimeia pela Rússia, além de se pronunciar contra "a ingerência do país na crise da Ucrânia". Desde agosto, ele vive nos EUA. / EFE

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