Parlamento russo revoga permissão para enviar tropas à Ucrânia

Pedido de revogação foi feito pelo presidente Putin para facilitar o processo de paz entre forças ucranianas e separatistas pró-Rússia

O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2014 | 09h33

MOSCOU - A Câmara Alta do Parlamento russo aprovou nesta quarta-feira, 25, a revogação do direito que havia concedido em março ao presidente Vladimir Putin de ordenar uma intervenção militar na Ucrânia. O pedido de revogação foi feito por Putin um dia antes.

Um proeminente parlamentar disse que a decisão deveria ser vista como um ato de boa vontade para ajudar a facilitar os esforços de paz na Ucrânia, onde o governo russo se posiciona como defensor dos direitos da minoria de língua russa, mas afirmou que esse poder poderia ser restabelecido rapidamente.

"O presidente da Federação Russa tem meios suficientes, em conformidade com a Constituição e a lei federal, para influenciar efetivamente a situação na Ucrânia", declarou no plenário Viktor Ozerov, chefe do Comitê de Segurança e Defesa do Conselho da Federação (a Câmara Alta do Parlamento).

"Se, para essa finalidade, o presidente precisar adotar medidas de natureza militar, o Comitê de Segurança e Defesa do Conselho da Federação está pronto para analisar rapidamente tal moção do presidente. Mas espero que isso não seja requisitado."

A decisão, de cumprimento imediato, foi aprovada por 153 votos a favor e 1 contra, sem abstenções.

Ao fazer o pedido, Putin enviou uma carta a presidente do Senado, Valentina Matvienko, dizendo que o objetivo da solicitação era "normalizar a situação" na Ucrânia e incentivar as negociações entre forças ucranianas e separatistas pró-Rússia.

O presidente russo precisa mostrar seu apoio ao presidente ucraniano, Petro Poroshenko, antes da cúpula de sexta-feira da União Europeia (UE) e, dessa forma, evitar que Moscou seja alvo de novas sanções. A UE advertiu que pode aplicar novas sanções que atingiram setores inteiros da economia russa se Moscou não ajudar a amenizar a crise.

A decisão parlamentar foi anunciada no mesmo dia em que ministros de Relações Exteriores de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se reúnem em Bruxelas para discutir a possibilidade de mais sanções contra a Rússia e estudar formas de apoiar o Exército ucraniano.

Na noite da segunda-feira 23, autoridades de Kiev e separatistas entraram em acordo sobre um cessar-fogo, que vai durar até as 10h do dia 27. / AP e REUTERS

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