Parlamento turco aprova envio de soldados ao Líbano

A Turquia se tornou o terceiro país de maioria muçulmana a se comprometer com o envio de tropas para reforçar as forças expandidas da ONU no sul do Líbano. A proposta do governo turco foi aprovada pelo parlamento nesta terça-feira, apesar da oposição da opinião pública.Entre as nações de maioria muçulmana, Indonésia e Catar já haviam anunciado o envio de tropas. Ainda assim, a Turquia é o primeiro desses países a possuir relações diplomáticas com Israel.A decisão coincide com a chegada a Ancara do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que vinha pedindo para que as nações muçulmanas se unam às forças que irão monitorar o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah. Annan deve encontrar líderes turcos na quarta-feira. O envio de tropas turcas deve agradar também os países europeus, os Estados Unidos e Israel, que vinham pressionando para ver a Turquia nas forças de paz. Esses países esperam que uma ampla participação muçulmana reverta a impressão de que as forças de paz serão majoritariamente pró-ocidente.Com a decisão, o governo turco pretende ampliar sua influência no Oriente Médio - uma região que os turcos dominaram por séculos durante o Império Otomano -, além de ganhar pontos com os países ocidentais, uma vez que a Turquia tem por objetivo ingressar na União Européia.Ainda assim, mas de dez mil turcos tomaram as ruas da capital nesta terça-feira para protestar. A polícia de choque teve que ser acionada para prevenir uma invasão ao parlamento."Nós não seremos os soldados dos Estados Unidos e de Israel", diziam os banners carregados pelos manifestantes. A contribuição turca para as tropas de 15 mil homens deve incluir um força tarefa naval para impedir o contrabando de armas pela costa do Líbano e o envio de oficiais para treinar os soldados libaneses. O governo turco não especificou quantos soldados serão enviados, mas alertou que o número não deve passar de mil. Além disso, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, assegurou que as tropas se concentrarão na reconstrução e manutenção da paz no Líbano. Segundo ele, caso o Exército turco seja requisitado para desarmar o Hezbollah, ele requisitará o retorno dos homens.

Agencia Estado,

05 de setembro de 2006 | 16h56

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.