Parlamento turco aprova operações militares contra EI

Decisão permite que governo envie tropas para a Síria e o Iraque e permite a presença de soldados estrangeiros na Turquia 

O Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2014 | 14h53

ANCARA - O Parlamento turco aprovou moção nesta quinta-feira, 2, permitindo o governo a enviar tropas para a Síria e o Iraque para lutarem contra o Estado Islâmico (EI) e permitiu a presença na Turquia de soldados estrangeiros que combatem os jihadistas.

De 550 deputados, 298 votaram a favor da autorização pedida por Ancara. Após a votação, o primeiro-ministro turco, Ahemt Davutoglu, convocou uma reunião com os principais responsáveis civis e militares do país para definir a participação turca na coalizão internacional, liderada pelos EUA, que realiza ataques contra o EI.

A votação ocorre no momento que combatentes jihadistas avançam sobre a cidade síria de Kobani, predominantemente curda, a poucos quilômetros da fronteira com o território turco. Com o avanço, milhares de refugiados curdos foram para a Turquia, deixando Ancara ainda mais envolvida no conflito.

O Parlamento já havia aprovado a realização de operações em territórios iraquiano e sírio para atacar separatistas curdos ou para frustrar ameaças ao regime sírio. A moção desta quinta permite a expansão desses poderes para enfrentar as ameaças ddo EI, que controla grande parte dos territórios iraquiano e sírio.

"A moção prepara os fundamentos legais para possíveis intervenções, mas ainda é muito cedo para dizer quais serão essas intervenções", disse Dogu Ergil, professor de Ciência Política e colunista do jornal Today''s Zaman.

Ergil explica que a moção pode permitir que combatentes curdos iraquianos, por exemplo, usem o território turco para cruzar em segurança para a Síria para ajudar as forças curdas sírias no país, ou ser a base para o envio de drones das forças de coalizão.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, primeiramente contrário à união com a coalizão, disse nos últimos dias que o país estava disposto a "fazer o necessário" para combater o grupo jihadista e lembrou que a queda do regime do presidente sírio, Bashar Assad, era uma de suas "prioridades"

Erdogan considera os bombardeios da coalizão apenas uma "solução temporária" e aposta na criação de uma zona tampão no norte da Síria para proteger refugiados sírios e o território turco. / AFP e AP

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