Parlamento turco autoriza ataques à Síria

Exército da Turquia faz novos disparos em retaliação; premiê diz que não pretende começar uma guerra na região

ANCARA, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2012 | 03h06

O Parlamento da Turquia aprovou ontem uma lei que autoriza o Exército a realizar operações na Síria, um dia depois de um bombardeio originado no país vizinho ter matado cinco pessoas em uma cidade turca na fronteira. O Exército turco lançou ontem novos ataques com peças de artilharia como retaliação.

Horas depois da decisão, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan disse que não pretende começar uma guerra na região. A Síria admitiu sua responsabilidade pelas mortes e pediu desculpas a Ancara. Segundo Erdogan, a lei foi aprovada como ferramenta de dissuasão. "Nunca estaríamos interessados em algo como começar uma guerra", disse o líder turco. "Mas a Turquia é capaz de defender seus cidadãos e sua fronteira. Ninguém deve testar nossa determinação quanto a isso", acrescentou.

Enquanto os parlamentares realizavam o debate, uma manifestação ocorreu em Ancara pedindo que o país não se envolva em uma guerra com o vizinho. Policiais responderam com bombas de gás lacrimogêneo.

De acordo com o vice-primeiro-ministro turco, Besir Atalay, a lei dá ao governo o direito de enviar tropas ou caças para atacar alvos na Síria quando achar necessário. A decisão foi tomada em uma reunião de emergência do Parlamento. A Turquia adotou uma medida semelhante para atacar rebeldes curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no Iraque.

Autoridades turcas ressaltaram que darão preferência à cooperação com a comunidade internacional para pôr fim à crise. "Por isso levamos a questão à ONU e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)", disse Atalay. A Otan, aliança militar da qual a Turquia faz parte, emitiu um comunicado na quarta-feira no qual exigiu o fim de todas as hostilidades contra o aliado e considerou o ataque da Síria uma violação das regras do direito internacional.

Diplomacia. Na ONU, a Rússia bloqueou uma declaração que condena o ataque sírio contra a Turquia e propôs uma moção menos dura, que pede comedimento às duas partes. O texto original, proposto no Conselho de Segurança pelo Azerbaijão, condenava o episódio "nos termos mais duros". A Rússia é a principal aliada do regime de Bashar Assad.

Os Estados Unidos consideraram apropriada a resposta turca à agressão síria. De acordo com a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, a reação de Ancara foi proporcional e prevenirá futuras violações de soberania. A China pediu calma a ambas as partes envolvidas na crise. / AP e REUTERS

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