Parlamento ucraniano ratifica acordo de associação à UE

O Parlamento ucraniano ratificou nesta terça-feira o acordo comercial e político com a União Europeia (UE), que esteve na origem das manifestações realizadas na Ucrânia no ano passado e, por sua vez, levaram à queda do então presidente Viktor Yanukovich.

Estadão Conteúdo

16 de setembro de 2014 | 09h26

Em Kiev, 355 dos 450 parlamentares que compõem a câmara votaram a favor da ratificação do acordo, que prevê um pacto de livre comércio entre a Ucrânia e o bloco em troca de reformas democráticas nas instituições ucranianas.

A implementação da parte relativa ao livre comércio foi adiada até o início de 2016, depois de Moscou ameaçar a Ucrânia com restrições comerciais. A Rússia se opõe ao acordo, afirmando que bens europeus podem inundar seu mercado. Autoridades ucranianas dizem que o objetivo da Rússia é conter a integração de Kiev ao Ocidente e manter o país na esfera de influência de Moscou.

A recusa do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich em assinar o acordo em novembro de 2013 deu início a protestos de rua que deixaram dezenas de mortos e levaram à sua queda em fevereiro. Após a chegada de um governo pró-Ocidente ao poder, a Rússia invadiu e anexou a Crimeia além de dar apoio aos separatistas no leste ucraniano.

"Nenhum país pagou um preço tão alto por sua escolha europeia", declarou o atual presidente ucraniano, Petro Poroshenko aos parlamentares antes do início da votação. "Depois disso, quem pode fechar as portas à Ucrânia? Quem será contrário a conceder à Ucrânia a perspectiva de filiação à UE? Hoje, estamos dando o primeiro, mas decisivo, passo."

Após a votação, os parlamentares cantaram o hino nacional ucraniano e Poroshenko assinou a lei de ratificação do pacto.

Poroshenko também defendeu a decisão de adiar a implementação de parte do acordo. A UE ampliou a aplicação de tarifas mais baixas sobre bens ucranianos até o final de 2015, enquanto a Ucrânia vai atrasar o relaxamento das regras do comércio até o final do próximo ano.

O presidente - fortemente criticado por rivais que consideram a medida uma concessão à Rússia - disse que a decisão dará mais tempo para os produtores domésticos se prepararem para a competição com produtos europeus e ajudará a apoiar o orçamento e a vacilante economia e ucranianos. Fonte: Dow Jones Newswires.

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