Parque industrial permanece aberto a sul-coreanos

Funcionários usam linha paralela para autorizar a entrada de funcionários e caminhões e driblar corte nas comunicações

PAJU, COREIA DO SUL, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2013 | 02h03

O polo industrial de Kaesong, na fronteira entre as Coreias do Norte e do Sul, permaneceu aberto ontem, apesar da decisão de Pyongyang de interromper as comunicações entre os dois países. O parque, no qual 123 companhias sul-coreanas empregam mais de 50 mil norte-coreanos na fabricação de produtos de uso doméstico, rende ao Norte US$ 2 bilhões ao ano em intercâmbio comercial e é uma de suas poucas vias de entrada de divisas estrangeiras.

Na quarta-feira, a Coreia do Norte cortou a última das três linhas telefônicas "quentes" com a Coreia do Sul, enquanto ordenava a suas tropas que permanecessem de prontidão em razão de ações que considera "hostis" de Seul e de Washington. Mas cerca de 200 sul-coreanos e 166 veículos que transportavam petróleo e matérias-primas ainda conseguiram entrar em Kaesong, depois que, segundo funcionários sul-coreanos, as autoridades norte-coreanas usaram uma linha da administração do parque para permitir o acesso.

O Norte já cortou uma linha direta que o ligava às forças militares americanas estacionadas na Coreia do Sul e uma linha da Cruz Vermelha, usada pelos governos de ambos os lados.

Trabalhadores e comerciantes que cruzam a fronteira mais militarizada do mundo procuram levar dólares na viagem, porque esta é a moeda oficialmente aceita ali. A violenta retórica de Pyongyang contra Washington, que inclui promessas de ataque nuclear e às suas bases militares no Pacífico, ainda não afeta sua disposição de aceitar dólares, usados para comprar cigarros e outras mercadorias.

A decisão de Pyongyang de cortar a linha quente é a última de uma série de ameaças em resposta às sanções da ONU, depois do teste nuclear realizado em fevereiro, e aos exercícios militares de rotina das Forças Armadas sul-coreanas e americanas.

Cerca de 120 sul-coreanos permanecem no parque em um dia normal. A presença deles em Kaesong representa um grave risco político para Seul, pois seus cidadãos podem ficar presos ali caso Pyongyang feche a fronteira.

Ontem, 511 pessoas e 398 veículos deveriam sair de Kaesong, segundo a alfândega sul-coreana. "Acho que o terceiro teste nuclear é o último evento crítico. Fiquei preocupado, então saí", disse um sul-coreano que dirige uma fábrica no parque há seis anos e pediu para não ser identificado.

Poucos acreditam que Pyongyang vá fechar Kaesong, pois os US$ 2 bilhões anuais que o projeto rende reduzem a dependência da China, que, em 2012, gerou um intercâmbio de US$ 6 bilhões, segundo estimativas do governo do Sul. Kaesong produz também mais de US$ 80 milhões anuais em salários, pagos diretamente ao governo e não aos trabalhadores. / REUTERS

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