Gleb Garanich / Reuters
Gleb Garanich / Reuters

Parte das forças de Kiev deixa cidade cercada por separatistas

Autoridades ucranianas afirmam que medida é planejada e combates continuam em Debaltseve, no leste do país

O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2015 | 11h20


KIEV - Parte das forças ucranianas começou a sair nesta quarta-feira, 18, de uma cidade sitiada por separatistas pró-Rússia enquanto novos combates se iniciavam, ameaçando destruir o acordo internacional realizado em Minsk destinado a acabar com o conflito.

As forças separatistas, que o governo de Kiev diz serem apoiadas e armadas por Moscou, abriram caminho para a cidade ucraniana de Debaltseve na terça-feira, ignorando o cessar-fogo que entrou em vigor no domingo.

Os rebeldes afirmam que a trégua negociada pela Ucrânia, Rússia, Alemanha e França em uma cúpula na semana passada não se aplica a Debaltseve, um entroncamento de transporte ferroviário que liga as duas regiões controladas pelos separatistas do leste da Ucrânia.

Comandantes pró-governo de Kiev disseram que algumas forças se retiraram, mas há informações sobre combates na cidade. "A retirada das forças de Debaltseve está ocorrendo de forma planejada e organizada", disse Semen Semenchenko, que comanda o batalhão paramilitar Donbass. "O inimigo está tentando cortar as estradas e impedir a saída das tropas", escreveu ele no Facebook.

Outro líder paramilitar pró-governo, Mykola Kolesnyk, declarou a um canal de televisão que nem todas as forças foram retiradas. "Estamos falando apenas sobre as unidades que estão cercadas em áreas povoadas dentro e no entorno da cidade", disse.

Segundo um alto funcionário da polícia ucraniana, estão ocorrendo combates na cidade. O Ministério da Defesa da Ucrânia, em uma declaração no início da manhã, também informou que está havendo confrontos na cidade.

Acordo em risco. Mesmo antes de as tropas ucranianas serem forçadas a recuar, o acordo de paz firmado na semana passada estava fragilizado, com ambos os lados se recusando a recuar as armas pesadas, como exigido, depois que os rebeldes não quiseram interromper seu avanço.

Na terça, o presidente russo, Vladimir Putin, a quem Kiev e os países ocidentais acusam de estar por trás do avanço rebelde na cidade, disse que o governo ucraniano deveria deixar seus soldados se renderem. "Espero que as figuras responsáveis na liderança ucraniana não impeçam os soldados do Exército ucraniano de deporem suas armas", declarou Putin durante uma visita à Turquia. Ele disse esperar que os rebeldes permitam que os ucranianos retornem às suas famílias, tão logo a cidade se renda.

"80% de Debaltseve já é nossa", disse Eduard Basurin, um líder rebelde, na terça-feira. "A limpeza da cidade está a caminho". Mais tarde, ele afirmou que estavam em andamento negociações para que cinco mil soldados ucranianos se rendessem. "Centenas" tinham sido capturados, afirmou, e seriam depois libertados. A Ucrânia nega que o número de cativos seja tão elevado.

Jornalistas perto da linha de frente disseram que na terça-feira disparos de artilharia atingiam Debaltseve a cada cinco segundos ao mesmo tempo que foguetes Grad caiam sobre a cidade. /REUTERS

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