Parte de apuração do caso foi feita no Rio

Colunista do 'Guardian' que revelou escândalo mora na cidade com companheiro carioca, que conheceu em 2004

LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2013 | 02h04

Grande parte do trabalho de investigação que levou à mais grave denúncia sobre os métodos de investigação do governo Barack Obama foi feita no Rio de Janeiro, onde vive o jornalista e escritor americano Glenn Greenwald, de 46 anos, autor das reportagens publicadas no britânico The Guardian. Advogado bem-sucedido em Nova York, Greenwald mudou radicalmente de vida em 2004, quando viajou para Rio com planos de ficar poucos meses. Dois dias depois de chegar, conheceu o carioca David Michael Miranda, seu companheiro há nove anos.

Greenwald mudou de país e de profissão: interessado em segurança nacional, política e governo, trocou a advocacia por um blog, pela revista online Salon.com e, mais tarde, tornou-se colaborador do Guardian.

Segundo Miranda, Greenwald está fora do Brasil há mais de uma semana e ainda passará uns dias longe de casa. "Eu estava com o coração na mão antes de o material ser publicado", confessa Miranda, ao comentar a série de denúncias do companheiro. "Deu um pouco de medo, mas, agora que se tornou público, é mais difícil para o governo fazer alguma coisa com a gente. Não tenho mais medo algum", afirmou.

"O NSA (sigla em inglês para Agência de Segurança Nacional) é uma espécie de joia da coroa nos temas sigilosos do governo. Acredito que eles terão uma reação ainda mais extrema", disse Greenwald em entrevista publicada ontem no New York Times. O jornalista disse não se preocupar com as possíveis consequências de suas reportagens. "O que estou fazendo está exatamente dentro da Constituição", declarou.

Vida privada. Glenn e Miranda moram no Rio em uma casa com nove cachorros. "Eram 11, dois morreram há pouco tempo. Não podemos ver um cachorro na rua que pegamos", diz Miranda. Foi graças ao estímulo do companheiro americano que o rapaz terminou o ensino médio e agora, aos 28 anos, estuda publicidade e marketing, além de administrar a carreira de Greenwald.

"Nos conhecemos na praia, eu estava jogando futevôlei, a bola caiu perto dele, fui pedir desculpas. Trocamos olhares, saímos para jantar. Uma semana depois, estávamos morando juntos", conta Miranda. Criado na Flórida e formado em direito na Universidade de Nova York, Glenn é um aficionado por tênis, que joga com frequência num clube carioca. Também acompanha na TV os campeonatos internacionais.

Ao New York Times, ele disse que toma precauções como o uso de programas de bate-papo e e-mails criptografados. Greenwald disse ter sido informado sobre a gigantesca rede de vigilância do governo Barack Obama por "um leitor".

O opção de viver no Brasil deve-se em parte ao fato de o governo americano não reconhecer a união de Glenn e Miranda para fins de imigração do brasileiro. "O governo da minha pátria, 'livre' e supostamente amante da liberdade, promulgou uma lei proibindo explicitamente esse reconhecimento", disse Greenwald à revista Out.

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