Parte dos ataques a Mumbai foi planejada no Paquistão

Islamabad admite que conspiração foi parcialmente organizada no país e que suspeitos estão detidos

Reuters e Associated Press,

12 de fevereiro de 2009 | 08h32

Os atentados coordenados promovidos no fim do ano passado contra a cidade indiana de Mumbai (ex-Bombaim) foram pelo menos parcialmente planejados em solo paquistanês, admitiu Islamabad nesta quarta-feira, 12, e a maioria dos principais suspeitos identificados já foi presa. A admissão foi feita pelo ministro paquistanês de Interior, Rehman Malik. De acordo com ele, os investigadores seguiram a pista até o Paquistão de um bote motorizado utilizado no ataque e promoveram buscas em dois esconderijos dos suspeitos.   "Alguma parte da conspiração ocorreu no Paquistão e, segundo a informação disponível, a maioria (dos suspeitos) está sob nossa custódia", anunciou o ministro em entrevista coletiva concedida em Islamabad. O Paquistão encontrava-se sob pressão da Índia e de potências ocidentais para que adotasse medidas enérgicas contra o Lashkar-e-Taiba, um grupo extremista com radicado em seu território e considerado o principal suspeito de ter promovido os atentados de novembro do ano passado contra Mumbai, nos quais morreram 164 pessoas.   Os investigadores paquistaneses vinham analisando minuciosamente as informações obtidas por autoridades indianas sobre os ataques. Segundo detalhou Malik, oito suspeitos estão sendo investigados, seis dos quais já estão presos. Nova Délhi afirma que todos os dez participantes dos atentados - dos quais apenas um sobreviveu - eram paquistaneses e que comparsas no Paquistão haviam mantido contato telefônico com eles durante os ataques, que estenderam-se por três dias.   O ministro disse que Zaki-ur-Rehman Lakhvi, o suposto mentor, está preso, seis suspeitos estão detidos e outros dois, foragidos. Um dos presos foi levado de volta ao Paquistão desde a cidade espanhola de Barcelona. Investigadores paquistaneses descobriram que alguns fundos transferidos da Itália e da Espanha foram usados para financiar o ataque, além de cartões telefônicos australianos. Ele citou ainda uma ligação com Houston, nos EUA. Malik afirmou que os investigadores não conseguiram identificar os nove militantes mortos no ataque, apesar de confirmarem que o militante que conseguiu ser pego com vida é paquistanês.

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