Partidário de Bhutto é morto em onda de violência no Paquistão

Homens mascarados mataram nestesábado um simpatizante da líder da oposição paquistanesaBenazir Bhutto, assassinada na quinta-feira, no terceiro dia deviolência após a morte da ex-premiê. Militantes ligados à AlQaeda negaram a autoria do crime.O governo do Paquistão disse na sexta-feira ter provas de que aAl Qaeda é responsável pelo ataque suicida contra a ex-premiêde 54 anos, cuja morte empurrou o país para uma crise e gerouprotestos violentos.Mas um porta-voz do líder da Al Qaeda acusado pelo governonegou envolvimento no caso. O partido de Bhutto descartou aexplicação oficial, dizendo que a administração do presidentePervez Musharraf estava tentando encobrir seu fracasso emprotegê-la. Os paquistaneses continuavam em alerta no sábado, apósprotestos incendiarem lojas, caminhões, centros de auxílio eambulâncias durante a noite. "Há muitos motins no meu bairro, em Clifton. Tudo foiqueimado. Lojas estão sendo saqueadas", disse Ali Khan, 36,gerente da Audi Paquistão, diante de sua loja no distritocomercial de Karachi. Em Karachi, um homem de 27 anos usando uma túnica feita coma bandeira do Partido do Povo Paquistanês (PPP) foi morto poratiradores. Ele havia gritado "Bhutto é incrível" enquantoretornava do mausoléu onde a líder oposicionista foi enterradana sexta-feira, segundo a polícia. A morte eleva para 33 o número de mortos na onda deviolência deflagrada pelo ataque suicida que matou Bhutto,gerando temores de que as eleições de 8 de janeiro, quedeveriam restaurar governo civil no país aliado aos EstadosUnidos, poderão ser adiadas.Na sexta-feira, Javed Iqbal Cheema, porta-voz do Ministério doInterior, disse em entrevista coletiva: "Nós temos informaçõesda inteligência que indicam que o líder da Al Qaeda BaitullahMehsud está por trás do assassinato (de Bhutto)." No entanto, um porta-voz de Mehsud negou as acusações. "Eunego com veemência. Membros de tribos têm seus próprioscostumes. Nós não atacamos mulheres", disse Maulvi Omar portelefone de um local não-identificado. Um porta-voz do partido de Bhutto disse que o governoprecisa mostrar evidências sólidas. "O governo está nervoso", disse. "Eles estão tentandoencobrir a falha (em dar a proteção adequada a Bhutto)." O marido de Bhutto, Asif Ali Zardari, disse à BBC que otestamento dela seria lido pelo filho em um encontro com o PPPno domingo. Questionado se ele gostaria de liderar o partido,Zardari respondeu: "Depende do partido e depende dotestamento."Muitos partidários de Bhutto entoaram slogans contra Musharrafe os Estados Unidos, que apóia o ex-general na esperança de queele assegure a estabilidade e também por depender do Paquistãocomo aliado contra a Al Qaeda e o Taliban do Afeganistão. Musharraf tomou o poder em um golpe militar em 1999, masdeixou o Exército no mês passado para se tornar um presidentecivil. Até o momento, o governo ainda não anunciou o adiamento daseleições. "Eu não acredito que seja possível realizar as eleições",disse Mohammad Rashid, 34, morador de Karachi. O partido da oposição liderado pelo ex-premiê Nawaz Sharifafirmou que irá boicotar as eleições de janeiro, se foremrealizadas, e um porta-voz afirmou no sábado que Sharif tentaconvencer o PPP de Bhutto a fazer o mesmo. (Reportagem adicional de Kamran Haider, Zeeshan Haider eSimon Gardner)

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