EFE/Yuri Kochetkov
EFE/Yuri Kochetkov

Partidários de líder opositor russo começam a ser julgados

Protestos contra Vladimir Putin realizados na véspera terminaram com mais de 1,7 mil detenções; manifestações representam novo desafio para presidente a nove meses das eleições

O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2017 | 12h47
Atualizado 13 de junho de 2017 | 21h02

MOSCOU - Os partidários do principal opositor ao Kremlin, Alexei Navalni, condenado na véspera a 30 dias de detenção, começaram a ser julgados nesta terça-feira, 13, um dia depois de uma jornada de protestos contra o presidente Vladimir Putin, que terminou com mais de 1,7 mil prisões.

Várias conclusões podem ser obtidas após as manifestações. Os "jovens" de Putin, que conheceram apenas um presidente em toda sua vida, confirmaram sua mobilização, apesar das condenações anunciadas após outro dia de grandes protestos, em 26 de março.

A polícia deteve na segunda-feira mais pessoas (1,7 mil) que em 26 de março (1 mil). Mas ainda é cedo para saber se este é um movimento sólido, pois a grande maioria dos russos não apoia Navalni e considera Putin uma garantia de estabilidade.

Nesta terça-feira, o Kremlin considerou "perigosas" as manifestações anticorrupção. "A realização de eventos autorizados, como previsto pela lei, não apresenta perigo (...). O que é perigoso são as manifestações de provocação. É perigoso para as pessoas ao redor", declarou à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Navalni foi condenado a 30 dias de prisão - uma punição administrativa - por ter convocado manifestações não autorizadas em várias cidades do país. Esperando disputar contra Putin a eleição presidencial de março de 2018, ele foi detido na saída de seu prédio em Moscou, quando pretendia seguir até a manifestação não autorizada na avenida Tverskaya, via que segue até o Kremlin.

Milhares de pessoas - cerca de 4,5 mil, segundo a polícia - compareceram ao protesto aos gritos de "Rússia sem Putin" ou "Putin ladrão". Em Moscou e outras cidades, a polícia respondeu com veemência e utilizou cassetetes para dispersar os manifestantes. Os detidos foram transportados em vários ônibus.

A ONG russa OVD-Info indicou que 1,5 mil pessoas foram detidas, incluindo pelo menos 866 em Moscou e quase 600 em São Petersburgo, de acordo com um balanço atualizado.

O julgamento dos manifestantes começou nesta terça-feira. Eles podem ser condenados a 15 dias de detenção ou mais, caso sejam considerados culpados de violência contra as forças de segurança.

A manifestação de segunda-feira representa um novo desafio para Putin, a nove meses da eleição presidencial, na qual ele pode se apresentar para aspirar a um quarto mandato.

De acordo com o cientista político Gleb Pavlovski, ex-conselheiro de imagem do presidente, "não havia apenas pessoas pacíficas nas manifestações" da véspera.

"A mobilização de 26 de março foi uma vitória para Navalni, mas a de 12 de junho não foi um sucesso nem um fracasso: mostrou que o conflito (entre os anti e os pró-Putin) aumenta mas não consegue mobilizar o suficiente", completou.

O protesto contou com a presença de muitos estudantes, que não conheceram outro chefe de Estado ou de governo que não fosse Vladimir Putin, no poder desde o ano 2000. As detenções de segunda-feira foram criticadas pela Casa Branca e pelo Parlamento Europeu. / AFP

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