Partidários de Assad atacam embaixadas

Missões diplomáticas da Arábia Saudita, Catar, Turquia e França foram atacadas por partidários do regime de Bashar Assad na noite de sábado e madrugada de ontem, horas depois de a Liga Árabe ter aprovado a suspensão da Síria por não ter interrompido a violência contra opositores no país, como previa um pacto assinado com a entidade no começo do mês.

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2011 | 03h06

Cerca de mil pessoas lançaram pedras contra a representação da Turquia em Damasco. O ato prosseguiu até a polícia intervir. Como os policiais demoraram para agir, o governo turco condenou a falta de proteção à sua embaixada. Diante da deterioração da segurança, um avião foi enviado de Ancara para retirar os parentes dos diplomatas e os funcionários não essenciais.

Outras centenas de manifestantes, armados com paus e pedras, agrediram o guarda da embaixada da Arábia Saudita e depredaram o local, que fica a apenas três quarteirões do gabinete de Assad. O governo saudita afirmou que as forças de segurança não reagiram com a rapidez necessária e Damasco pode ser considerado culpado pelo ataque.

Apenas no caso da embaixada do Catar a polícia agiu com mais rigor contra os manifestantes pró-Assad ao usar bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-los. Mesmo assim, a polícia foi incapaz de impedir que eles entrassem no prédio diplomático, retirassem a bandeira do emirado e a substituíssem pela da Síria.

Segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores da França, que também sofreu ataques contra seu consulado honorário em Latakia e seus escritórios diplomáticos em Aleppo, os ataques buscam intimidar a comunidade internacional.

Os defensores do regime sírio acusam a Arábia Saudita e o Catar de estar por trás de uma campanha para eliminar os cristãos e outras minorias do mundo árabe, como os alauitas. De acordo com os partidários de Assad, esses países apoiam a criação de regimes radicais sunitas, como o de Riad, e a eliminação das liberdades religiosas que as minorias sírias desfrutam sob a administração de Assad.

Ao longo do dia de ontem, grandes manifestações a favor do regime ocorreram em quase todas as principais cidades da Síria. Fotos mostravam multidões a favor de Assad e condenando a decisão da Liga Árabe em Damasco, Aleppo, Latakia e Tartus, onde o apoio ao regime ainda é enorme, segundo diplomatas ocidentais. Atos a favor do governo também ocorreram em cidades onde a oposição é forte, como Hama e Homs.

Ao mesmo tempo, as forças de segurança mataram ao menos 26 pessoas em diferentes partes do país, de acordo com ativistas do Comitê de Coordenação Local, que agrupa membros da oposição. Segundo a ONU, 3,5 mil pessoas foram mortas pelo regime desde o início dos protestos, há oito meses. O governo argumenta que milícias opositoras mataram 1,1 mil soldados e policiais. / G.C.

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