Partidários de Chávez comemoram vitória com fogos

Após horas de espera madrugada adentro, uma multidão de partidários do presidente venezuelano, Hugo Chávez, concentrada na frente do Palácio Miraflores, sede do governo, explodiu em euforia às 4 horas da manhã (5 horas de Brasília). Momentos depois de o presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Francisco Carrasquero, ter anunciado o boletim parcial de apuração que dava a vitória à opção "não" no referendo de ontem, ratificando o mandato de Chávez, uma bateria de fogos de artifício iluminou o céu da cidade.Dezenas de milhares de pessoas vestindo camisetas de campanha gritavam sem parar as palavras de ordem "Uh, ah! Chávez no se vá!" e "Fora esquálidos!" Desde o horário oficial do encerramento da votação, grupos de chavistas vindos de várias partes da cidade começaram a tomar as ruas do centro velho de Caracas. Quase todos contavam histórias de longa permanência nas filas de votação, espera que em alguns casos se estendeu até as 2h30 da manhã, quando o último voto foi registrado. Quase ao mesmo tempo, as emissoras de TV privadas começavam a abrir seus microfones para líderes da oposição que já davam indícios de que reclamariam de fraude. Quando Carrasquero anunciou o boletim, dois dos membros do CNE, Ezequiel Zamora e Sobella Mejías - identificados com o grupo antichavista - convocaram entrevista coletiva para anunciar que não concordavam com a divulgação do resultado porque as atas de escrutínio ainda não tinham sido auditadas."Isso é normal aqui na Venezuela", disse um jovem chavista que exibia o dedo mínimo marcado com tinta indelével - para impedir que um eleitor vote duas vezes. "Eles reclamam de fraude a cada três passos, mas consideram legítimo perpetrar um golpe de Estado." Na madrugada agitada do Hotel Hilton de Caracas - onde se reuniam jornalistas locais e estrangeiros, observadores internacionais e políticos -, as cifras de 58,2% para o "não" e 41,74% foram recebidas como normais. Circulavam rumores de pesquisas, supostamente feitas pelo governo, pela Embaixada de Cuba e por organismos internacionais de que o "não" venceria por entre 20 e 30 pontos porcentuais de diferença. Depois das acusações de fraude - em algum ponto do processo de transmissão e apuração dos votos - as atenções se voltaram para o Centro Carter e a Organização dos Estados Americanos (OEA), que prevê para hoje a divulgação de seus relatórios sobre a lisura do referendo.

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