Partidários de Tsvangirai são queimados vivos no Zimbábue

Opositores teriam sido mortos por militantes do partido de Mugabe

AP e AFP, Harare, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2008 | 00h00

O opositor Movimento pela Mudança Democrática (MMD) afirmou ontem que quatro de seus partidários foram assassinados por militantes do partido governista, União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica (Zanu-PF). A acusação é mais um sinal de que a violência no país se intensifica na medida que se aproxima o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 27. "Quatro integrantes de nosso movimento foram seqüestrados na terça-feira por jovens da Zanu-PF armados de bastões e chicotes", afirmou Nelson Chamisa, porta-voz do MMD.As vítimas foram seqüestradas em Chitungwiza, a 25 quilômetros de Harare. Segundo testemunhas, elas foram obrigadas a entrar em um caminhão e cantar jingles da campanha do presidente Robert Mugabe. Os corpos foram encontrados queimados perto da capital zimbabuana. Abigail Chiroto - mulher do prefeito de Harare, Emmanuel Chiroto, do MMD - também foi encontrada morta. Ela foi seqüestrada na segunda-feira junto com o filho de 4 anos. De acordo com a criança, que foi deixada em uma delegacia de polícia, sua mãe foi vendada antes dos dois serem separados. O corpo dela foi identificado na quarta-feira.A Anistia Internacional afirmou ontem que outros 12 corpos foram encontrados no país com sinais evidentes de tortura. A organização e outras entidades de direitos humanos culpam a polícia zimbabuana, soldados e militantes do partido de Mugabe pelo aumento da violência no país. O opositor Morgan Tsvangirai afirmou que, desde o primeiro turno das eleições - de 29 de março -, mais de 60 de seus partidários foram mortos. Ontem, o número 2 do MMD, Tendai Biti, foi acusado por um tribunal do país de tentativa de subversão e pode ser sentenciado à morte.Mugabe nega as acusações, mas ao mesmo tempo já fez ameaças de iniciar um conflito armado, se perder o cargo para Tsvangirai no dia 27.DIVISÃO DE PODERO presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, propôs o cancelamento do segundo turno das eleições, informou ontem a imprensa do país. Mbeki visitou o Zimbábue na quarta-feira, onde se reuniu separadamente com Mugabe e Tsvangirai. De acordo com jornais sul-africanos, o presidente defende a formação de um governo de unidade nacional.PERSEGUIÇÃO IMPLACÁVELMorgan Tsvangirai: líder do opositor Movimento pela Mudança Democrática (MMD). Em uma semana foi preso quatro vezes por fazer campanha em áreas não autorizadas pelo governo Tendai Biti: número 2 do MMD. Está preso e é acusado de traição. Pode ser sentenciado à morte Abigail Chiroto: mulher do prefeito de Harare, que é do MMD. Foi seqüestrada e morta

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