Partidários de Zelaya anunciam 'ofensiva final'

Após a suspensão de algumas garantias civis, os simpatizantes do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que está abrigado na Embaixada do Brasil, anunciaram hoje uma "ofensiva final" para derrubar o governo de facto do presidente Roberto Micheletti. "Este regime nos roubou a paz. Por isso, iniciamos hoje a ofensiva final para devolver Honduras a seu presidente legítimo", disse o líder da Frente Nacional Contra o Golpe de Estado, Carlos Eduardo Reina. Ele não forneceu detalhes sobre a ofensiva.

AE-AP, Agencia Estado

28 de setembro de 2009 | 13h45

Reina, que também está refugiado há uma semana na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, afirmou que "desconhecemos o regime usurpador de Micheletti. Honduras vive um estado de sítio, onde não há garantias para nada. Isso não nos importa porque ignoraremos todas as medidas impostas pelos golpistas".

Da embaixada brasileira, Zelaya falou hoje por telefone com a Associated Press, mas não quis comentar as palavras de Reina. "Micheletti está disposto a me matar e fazer com que pareça suicídio. Eu digo ao povo: Manuel Zelaya não se suicida", afirmou o presidente deposto, repetindo as declarações feitas desde a semana passada. Ele denunciou a suspensão das atividades da rádio Globo e do canal 36 de televisão, afirmando também que os funcionários foram detidos.

Ele pediu que a comunidade internacional elabore mecanismos para evitar os golpes de Estado em todo o mundo, qualificados por ele como "crimes de lesa-pátria". "Há uma repressão brutal contra o povo. O golpe de Estado traz épocas negras para os direitos humanos e as liberdades públicas. O mandachuva atual se atreveu a suprimir e controlar absolutamente os direitos constitucionais, mas o povo é valente e resistirá. Que Deus nos proteja."

O ministro de Informação do governo de facto, René Zepeda, afirmou que ninguém foi detido e que "esses meios de comunicação foram retirados temporariamente do ar por fazerem chamados para a desordem". Ele não disse em quanto tempo as operações da rádio e da televisão serão normalizadas.

Movimento pró-Zelaya

O sacerdote católico salvadorenho Andrés Tamayo, ativista do movimento pró-Zelaya que também está na embaixada brasileira, anunciou que "camponeses de todas as partes do país se dirigem a Tegucigalpa para se concentrar aqui e conseguir derrubar Micheletti". A polícia não confirmou de imediato esta informação.

O religioso anunciou que "a esperança para solucionar a crise é a chegada de José Miguel Insulza (secretário-geral da Organização dos Estados Americanos - OEA) e (Oscar) Arias", presidente da Costa Rica que tem agido como mediador do conflito hondurenho. Ontem, o governo de facto não permitiu o ingresso de um grupo de representantes da OEA, o qual tinha como objetivo preparar a chegada de uma missão de chanceleres latino-americanos para impulsionar as negociações.

Direitos civis

Micheletti suspendeu ontem por 45 dias as liberdades individuais e as garantias constitucionais, permitindo que as autoridades proíbam qualquer reunião pública "não autorizada" ou "autorizada". A medida também permite deter pessoas sem a necessidade de uma ordem judicial e fechar temporariamente os meios de comunicação que afetem "a paz e a ordem". Dessa forma, foram incrementadas as disposições de emergência impostas há mais de três meses, quando os militares depuseram Zelaya e o enviaram para o exílio na Costa Rica.

"As medidas se impõem por causa dos chamados públicos à insurreição feitos pelo senhor Manuel Zelaya e para evitar afetar a grande maioria da população que não está comprometida com os grupos de manifestantes violentos afinados com o ex-presidente (deposto)", disse o governo de facto em comunicado transmitido por rádio e televisão. O texto pede aos partidários de Zelaya a abdicar de "sua atitude de provocação a fim de ajudar a criar um clima propício para chegar a um diálogo nacional".

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