Partidários de Zelaya planejam 'resistência pacífica'

Embora setores organizados da sociedade hondurenha já convoquem uma "luta nacional" caso o presidente deposto Manuel Zelaya não seja restituído, os riscos de Honduras mergulhar em uma espiral de violência parecem ser remotos.

AE, Agencia Estado

16 de outubro de 2009 | 10h02

O grupo mais radical da base de Zelaya, a Frente Nacional de Resistência (FNR), afirma que continuará a conduzir a campanha contra o governo golpista e por uma Assembleia Constituinte exclusivamente por meios pacíficos. Do outro lado, o governo de facto parece ter se conformado com as manifestações restritas, mesmo que elas violem o estado de sítio.

Com o objetivo de boicotar a votação presidencial de 29 de novembro, a FNR ameaça abrir em Honduras "territórios livres de eleições", segundo informou ao Estado Rafael Alegria, um de seus líderes. O método de boicote foi definido, de maneira eufemística, como "não reconhecimento ativo" do processo eleitoral.

Na prática, o grupo tentará mobilizar comunidades para impedir campanhas políticas e mesmo a colocação de urnas. Na luta contra os aliados do governo de facto serão usados até ovos de galinha, de acordo com o principal líder do grupo, Juan Barahona.

Gandhi

Questionado sobre a possibilidade de recorrer às armas, Alegria se disse " discípulo da filosofia política do líder indiano Mahatma Gandhi". O modo de resistência, portanto, seria "a desobediência civil". Segundo Barahona, as contradições políticas inevitavelmente farão com que os hondurenhos se voltem contra o governo de facto e as eleições de novembro fracassem. "Por que vamos votar se tiram nossos líderes, democraticamente eleitos, do poder?", questionou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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