Partidários de Zuma comemoram dado parcial nas ruas

Os correligionários de Jacob Zuma dançavam e cantavam nas ruas celebrando os resultados parciais das eleições parlamentares sul-africanas, que indicaram que Zuma deve tornar-se o próximo presidente do país. Resultados preliminares dos 10,09 milhões de votos contados até agora mostram o Congresso Nacional Africano (CNA), partido de Zuma, liderando a apuração com 66,70% dos votos.

AE-AP, Agencia Estado

23 de abril de 2009 | 17h58

O resultado final é esperado para o fim do dia ou amanhã, mas alguns milhares de correligionários de Zuma não esperaram para celebrar e reuniram-se numa praça no centro de Johanesburgo nesta tarde. Alguns agitavam bandeiras amarelas com a frase "Zuma para presidente". Mais tarde, Zuma falou a seus correligionários. "Nós ainda não estamos celebrando a vitória. Neste momento, estou apenas agradecendo a vocês. A comemoração verdadeira ainda está por vir", disse ele em zulu.

Um número recorde de 23 milhões de sul-africanos registraram-se para votar. O comparecimento de 77% dos eleitores também foi recorde nos locais de votação onde a contagem foi concluída. Te Ngubane, de 52 anos, secretária numa delegacia de polícia, sente que o governo anterior não deu atenção a pessoas como ela. "Nós confiamos em Zuma porque ele é direto".

Mas outros dizem que Zuma é muito ligado aos sindicatos e a esquerdistas e não será capaz de cumprir todas as suas promessas de criar empregos e uma rede de proteção social mais forte. Ao final da campanha, Zuma não estava falando na criação de empregos, mas na postergação das demissões. "Nós esperamos muito, muitas casas, escolas, empregos", disse Precious Mosiane, 25 anos, desempregado que procura trabalho. "Nós sabemos que a economia está em crise, mas vamos nos certificar" que o governo cumpra suas promessas. O CNA venceu todas as eleições desde o primeiro pleito pós-apartheid em 1994. Em 2004, o CNA venceu com 69,69% dos votos.

O Parlamento elege o presidente sul-africano por maioria simples, o que coloca Zuma como o favorito quando o Parlamento realizar a eleição em maio. A receptividade de Zuma e sua história de vida - da pobreza para a política - resultou em multidões de correligionários durante a campanha eleitoral, embora alguns questionem se ele poderá implementar sua agenda populista em meio à crise econômica mundial.

Embora o CNA espere vencer as eleições, o partido já não está tão certo de que conquistará a maioria de dois terços. O partido precisa manter essa maioria para colocar em prática seus planos de orçamento, a legislação inalterada ou fazer mudanças na Constituição. O partido governista vê em Zuma, de 67 anos, um líder capaz de energizar os eleitores, o mais bem sucedido nesse quesito desde Nelson Mandela.

A Aliança Democrática (AD), partido de oposição majoritariamente branco, tinha 16,16% dos votos segundo contagens preliminares. O partido deve vencer na Província mais rica do país, Western Cape. O Congresso do Povo (Cope) - fundado no ano passado por uma dissidência do CNA - estava com 7,75% dos votos, apesar das expectativas de que representaria um sério desafio para o partido dominante. O Cope é formado por partidários de Mbeki, que disputou - e perdeu - a liderança do CNA para Zuma.

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