Partidários do golpe festejam até a madrugada

Em mais um dia de protestos e grandes concentrações, dezenas de milhares de manifestantes se reuniram a partir do fim da tarde na Praça Tahrir para festejar o fim do governo de Mohamed Morsi. Em resposta, partidários do presidente deposto permaneceram nas ruas, acampados, em vigília e armados de bastões para garantir a "autoproteção". Nos céus, helicópteros monitoraram a população, enquanto caças se exibiram para a multidão.

CAIRO, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2013 | 02h03

Depois de uma madrugada inteira de comemorações pelo golpe militar, os opositores de Morsi só voltaram a se concentrar em grande número no final da tarde de ontem. Então, a nova noite de festas surpreendeu. Dezenas de milhares de pessoas voltaram à Praça Tahrir e a suas imediações, apenas para celebrar o fim dos 12 meses de governo do islamista. "Nós agora queremos um presidente justo, porque ainda não houve democracia no Egito", afirmou Imad Badr. Crítico da Irmandade Muçulmana, o contador de 45 anos atacou a mobilização do grupo em outro ponto da cidade. "Todos somos muçulmanos e não precisamos desse tipo de Islã no poder."

À 1 hora, a festa na Praça Tahrir continuava com o mesmo clima das noites anteriores: gritos de comemoração, músicas, buzinas, cornetas e projeções com raios laser nos prédios ao redor.

Se para os homens, a noite era só de celebração, para as mulheres a situação é diferente. Segundo organizações não governamentais, mais de 100 mulheres sofreram violência sexual na praça e nas imediações desde o dia 28, quando começaram os protestos.

Em outro ponto da capital, os islamistas e apoiadores da Irmandade Muçulmana e de Morsi também se reuniram, mas em outro clima. Em lugar de festa, havia mobilização, palavras de ordem e sensação de insegurança de parte dos manifestantes, que se sentem ameaçados por gangues que os atacaram em dias anteriores. Por isso, barricadas estavam montadas nos acessos à Avenida Nasr.

Para passar, é necessária uma revista e, para estrangeiros, provar identidade com passaportes ou documentos. "É para nossa segurança", alegam os organizadores da barricada, vários dos quais com escudos improvisados e bastões para dissuadir eventuais agressores.

As duas multidões foram vigiadas de perto pelas Forças Armadas ontem. Sobre as duas praças, helicópteros sobrevoavam a cada 30 minutos, demonstrando a preocupação das autoridades com eventuais tumultos.

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