Partidários festejam hoje volta de Zelaya

Presidente deposto em 2009 deve desembarcar em Honduras com autoridades estrangeiras

AP, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

Honduras preparava-se ontem para receber Manuel Zelaya, presidente deposto há exatamente um ano e onze meses. O líder deve desembarcar hoje em Tegucigalpa por volta das 12 horas, acompanhado de várias autoridades latino-americanas, encerrando um ano e seis meses de exílio na República Dominicana.

Ontem, Zelaya deixou Santo Domingo rumo à Nicarágua. De lá, o hondurenho tomará um avião para Tegucigalpa, juntamente com o presidente nicaraguense, Daniel Ortega.

Zelaya será, então, recebido pelos chanceleres María Ángela Holguín (Colômbia) e Nicolás Maduro (Venezuela), além do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e do secretário para Assuntos Internacionais do governo brasileiro, Marco Aurélio Garcia. Em seguida, o ex-presidente assistirá a um ato organizado por integrantes da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) em uma praça perto do aeroporto.

O local da comemoração foi rebatizado de "Isy Obed Murillo", em homenagem a um zelaysta morto por um disparo em 5 de julho de 2009, quando Zelaya tentou pousar de avião no aeroporto de Tegucigalpa.

O retorno de Zelaya é resultado de uma intensa negociação entre o líder deposto e o atual presidente hondurenho, Porfírio "Pepe" Lobo. Sob mediação dos governos da Venezuela e Colômbia, os dois lados chegaram a um acordo na segunda-feira, na cidade colombiana de Cartagena. Com a volta de Zelaya, espera-se que Honduras seja reintegrada à OEA na quarta-feira.

O ex-presidente hondurenho sofreu um golpe em 2009, enquanto tentava convocar uma consulta popular que abriria as portas a uma Assembleia Constituinte. O Congresso, a Suprema Corte, as Forças Armadas, a Igreja e organizações empresariais eram contra o processo.

Em meio ao impasse político, um comando do Exército invadiu a casa de Zelaya e o despachou, de pijamas, em um avião para a Costa Rica. Três meses depois, o presidente retornou escondido a seu país e buscou abrigo na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde permaneceu por cinco meses.

Se a OEA revogar a suspensão, o mesmo provavelmente será feito por outras organizações regionais que haviam isolado Honduras, como o Sistema de Integração Centro-Americano (Sica).

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