Martin Acosta/Reuters
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Partidários preparam vigília em hospital para apoiar Cristina Kirchner

Eleitores querem demonstrar na semana que vem seu respaldo à presidente que retirará tumor

Ariel Palacios, correspondente

29 de dezembro de 2011 | 22h00

BUENOS AIRES - Dezenas de organizações de militantes kirchneristas preparam uma vigília na frente do Hospital Austral, na cidade de Pilar, na zona noroeste da Grande Buenos Aires, onde a presidente Cristina Kirchner será operada na quarta-feira de um carcinoma papilar no lóbulo direito da glândula tireoide.

 

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A concentração "pela saúde" de Cristina começará na terça-feira. As organizações prometem reunir dezenas de milhares de pessoas, numa demonstração de respaldo popular à presidente, reeleita em outubro com 54% dos votos.

 

A presidente optou pelo Hospital Austral, com 36 mil metros quadrados de edifícios e jardins, em vez do hospital público Argerich, onde, em 2003, o então presidente Nestor Kirchner inaugurou com toda pompa uma unidade para o tratamento de presidentes do país.

 

O casal Kirchner sempre preferiu os estabelecimentos privados para seus tratamentos. Esse foi o caso das duas internações e operações da carótida do ex-presidente Kirchner em 2010.

 

Após ter a alta, a presidente Cristina descansará em El Calafate, vilarejo na Patagônia, para onde viajou nesta quinta-feira, 29, e deve passar o réveillon. Ela passará o ano-novo com a filha Florência e filho Máximo - que, embora não tenha um cargo formal, é considerado a figura de maior influência no governo de sua mãe. Cristina voltará à Buenos Aires para a cirurgia na quarta de manhã, dia de sua cirurgia. A presidente terá a princípio uma licença de 20 dias.

 

No entanto, o afastamento temporário da presidência da república seria uma mera formalidade. Cristina, famosa pela centralização de decisões, permaneceria no controle desde o leito hospitalar.

 

"Seu vice-presidente, Amado Boudou, ficará na presidência interina, mas Cristina continuará no comando real do país, mesmo durante a convalescença", afirmou ao Estado Carlos Pagni, analista político e colunista do jornal La Nación.

 

A oposição não espera mudanças de rumos, mesmo temporárias. Da centro-direita à centro-esquerda, a expectativa no Congresso Nacional é a de que o governo não adote nenhuma medida de peso enquanto a presidente Cristina não retornar.

 

A deputada Margarita Stolbitzer, da Frente Ampla Progressista, de oposição, considera que Boudou, "que é um leal discípulo (da presidente Cristina), será um bom guarda-costas do patrimônio K". Outro parlamentar, Eduardo Amadeo, do peronismo dissidente, sustenta: "O modelo kirchnerista é um exemplo de centralização absoluta. Boudou não fará nada além daquilo que Cristina lhe permita".

 

No entanto, o ex-embaixador, escritor e colunista político Jorge Asís, autor de O kirchnerismo póstumo, considera que a licença de Cristina será superior aos 20 dias previstos. "Pelo menos 40 dias", diz.

 

Pagni afirma que a doença de Cristina, além de blindá-la temporariamente de críticas da oposição e divisões internas do governo e seus aliados, poderá fortalecer a posição política da presidente. "Em 1993, o então presidente Carlos Menem foi operado da carótida. Na ocasião, o ex-presidente Raúl Alfonsín, seu rival, quebrou o gelo e foi visitá-lo no hospital. A doença do presidente permitiu uma distensão no cenário público e possibilitou o Pacto de Olivos (a reforma constitucional) e a reeleição de Menem", ilustra.

 

Diagnóstico. Informações publicadas pela agência OPI Santa Cruz, da Província de Santa Cruz, reduto político dos Kirchners, no sul da Argentina, indicam que a presidente Cristina já tinha conhecimento sobre sua doença desde meados de novembro. "Ela sabia uns 25 dias antes da posse de seu segundo mandato", indica a agência. 

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