Bloomberg photo by Waldo Swiegers.
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Partido apresentará moção de censura se Zuma não renunciar à presidência sul-africana

Tesoureiro geral do Congresso Nacional Africano afirmou que partido tomará medida na quinta-feira se político não deixar o cargo ainda hoje; policia realiza operação contra família Gupta, aliada do presidente e acusada de desvio de recursos e tráfico de influência

O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 09h58
Atualizado 14 Fevereiro 2018 | 10h59

CIDADE DO CABO - O Congresso Nacional Africano (ANC), partido que governa a África do Sul, anunciou nesta quarta-feira, 14, que debaterá uma moção de censura no Parlamento caso o presidente Jacob Zuma não apresente sua renuncia ainda hoje.

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"Procederemos com a moção de censura amanhã (quinta) para que o presidente Jacob Zuma seja destituído de seu cargo e possamos eleger (o atual líder no ANC, Cyril Ramaphosa, para o posto de presidente)", disse o tesoureiro geral do partido, Paul Mashatile, em entrevista na Cidade do Cabo.

Depois de várias semanas de negociações fracassadas com Zuma, que levaram o país a uma grave crise política, a direção do ANC decidiu na terça-feira retirar o apoio ao político e exigir que ele deixe a presidência o quanto antes.

Zuma não tem obrigação constitucional de respeitar a decisão tomada pelo Comitê Nacional Executivo (NEC, órgão de decisão do ANC), mas se não cumprir o que foi decidido pelo colegiado pode ser alvo da votação no Parlamento que o removeria do poder - são necessários os votos de dois terços dos 400 deputados para a aprovação.

Três caminhos possíveis para a saída antecipada do presidente sul-africano

Em uma entrevista ao vivo à emissora estatal SABC, Zuma afirmou nesta quarta que os líderes do ANC não esclareceram para ele os motivos pelos quais ele deveria renunciar e disse considerar que está sendo tratado de "forma injusta".

O presidente afirmou ainda que não foram seguidos os procedimentos do partido nesta tentativa de tirá-lo do poder. "Devo ser responsabilizado pelo que eu fiz. Qual o motivo da pressa?", disse o presidente, que afirmou não ter se recusado a deixar o cargo, apesar de dizer que preferia que isso ocorresse "depois de junho".

Zuma disse ainda que fará um pronunciamento ainda nesta quarta sobre a questão para poder "narrar algumas das coisas que aconteceram neste processo". "Eu nunca desafiei a liderança no ANC em toda a minha vida. Esta seria a primeira vez."

Polícia

Policiais sul-africanos fortemente armados realizaram uma operação na casa de luxo da família Gupta nesta quarta como parte de uma investigação sobre alegações de que os três irmãos tinham ligações corruptas com o presidente Zuma.

A operação marca uma escalada dramática na pressão exercida sobre Zuma e seu grupo político acusado de utilizar recursos estatais para fins particulares.

A emissora estatal da África do Sul, SABC, disse que um membro da família Gupta está entre os detidos. Uma fonte judicial afirmou que a polícia espera prender até sete pessoas e que membros da família Gupta estariam entre elas. / AFP e REUTERS

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